No Tom
14/02/2012 às 15:18 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentárioTags: dolores duran, música, tom jobim, vídeo, vinicius de moraes
Não sei bem o que se me passa (envelheço, amadureço, enterneço?), mas a cada dia que passa gosto cada vez mais de Tom Jobim, em todos os sentidos, do homem à obra.
Essa parceria dele com Dolores Duran, por exemplo, tem uma linda história.
Tom havia feito a música e dado a Vinicius para pôr a letra, mas quando Dolores ouviu a canção, pegou um papelucho (consta que um guardanapo de papel) e escreveu os versos de uma só tacada.
Alguns dias depois, Vinicius trouxe a sua letra para o Tom e este, constrangido, mostrou-lhe a que Dolores fizera. O poetinha ― sempre generoso e amigo ― ouviu, enfiou a sua no bolso sem deixar que Tom a lesse e lhe falou: “Fique com a da menina”.
A letra de Dolores é de fato muito bonita e se harmoniza perfeitamente com a canção, que se tornou um clássico, mas como seriam os versos de Vinicius?
É preciso aprender a ser só (ou a só ser)
08/02/2012 às 11:42 | Publicado em Uncategorized | 1 ComentárioTags: elis regina, gilberto gil, irmãos penha, música, preciso aprender a ser só
Há trinta anos ficamos sós, sem a presença, às vezes doce, às vezes apimentada, de Elis Regina.
Lá pelos meus verdes vinte anos, tive a graça de conhecê-la na casa dos irmãos Penha, Altamir e Edinho, músicos excepcionais, onde costumava se hospedar (ou pelo menos visitava) quando vinha a Ribeirão Preto e região para se apresentar.
Levou-me um amigo mais velho, Caio Próspero, que desfrutava da intimidade dos Penha e me recomendou cuidado e discrição perto de Elis, que a qualquer momento podia se zangar e mandar a mim, ou qualquer outro, para um lugar pouco aprazível.
Comecei então aquela noite de sonho um tanto ressabiado, mantendo-me a certa distância e a olhando de soslaio. “Olhos de águia, ouvidos de elefante e boca de siri”, eis outro velho e bom conselho recebido no passado que sempre trato de seguir, com ótimos resultados.
Mas com o decorrer das horas, bebidinhas rolando ao som de canções e interpretações de arrepiar, fui me entusiasmando e soltando, até que de repente, não mais que de repente, estava sentado quase ao lado dela, que me encarou e sorriu duas ou três vezes. Arrisquei mesmo alguns comentários que foram bem recebidos, sem destoar do que se conversava e do clima de intimidade reinante. Enfim, comendo pelas bordas, acabei por entrar na roda de música e encantamento. Elis, ao contrário do que temia, foi gentilíssima com todos até o final da noitada.
Para minha alegria houve um repeteco meses depois, quando cheguei a ganhar beijinhos no rosto ao cumprimentá-la e ao me despedir.
Costumo dizer que sempre tivemos cantoras extraordinárias, e continuamos a ter, mas para mim Elis Regina foi, e ainda é, a síntese de todas elas, reunindo em si as melhores qualidades de cada uma de nossas grandes damas.
Numa daquelas noites, presenciei Elis cantar o lindo samba-canção dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, “Eu preciso aprender a ser só”, que ela havia gravado. Quando já se achava consagrada, disse em várias entrevistas que a partir daquela interpretação é que começou a ter o respeito da crítica e do público. Talvez ela tenha alcançado então outro patamar de reconhecimento do seu talento, mas muito antes, desde suas primeiras aparições, já era reverenciada como grande cantora e intérprete.
“Eu preciso aprender a ser só” tornou-se tão marcante que anos mais tarde Gilberto Gil respondeu com o não menos inspirado “Eu preciso aprender a só ser”, sobre o qual o ouvi contar ou li em alguma parte que compôs e gravou para conseguir se livrar da canção dos irmãos Valle que não lhe saía da cabeça e o estava impedindo de fazer outras coisas.
Aqui vão as duas canções que me despertam tantas lembranças e provocam imensa emoção sempre que ouço.
Em seguida, um vídeo do meu querido e talentoso amigo José Marcio Castro Alves que dá uma amostra da maestria de Altamir e Edinho Penha (e de como eram as noitadas e os saraus na casa ou na chácara deles).
Estrada branca
28/01/2012 às 19:08 | Publicado em Uncategorized | 5 ComentáriosTags: chico buarque, estrada branca, música, tom jobim, vídeo, vinicius de moraes
“Estrada Branca” é o exemplo acabado do encontro de dois talentos na sua plenitude e exata completude.
A fina melodia de Tom Jobim é uma ária à altura de qualquer um dos maiores compositores clássicos, e a letra de Vinicius de Moraes, na sua aparente simplicidade, é um poema de grande sofisticação e absoluto domínio técnico (rimas internas, aliterações, jogo de palavras), em perfeita harmonia com a melodia de Tom.
A interpretação de Chico Buarque (que muitos desconsideram como cantor) nada deve a de mestres como Frank Sinatra, Caetano Veloso, Gal Costa, e até mesmo a divina Elizeth Cardoso, entre outros, que gravaram a canção.
Estrada branca, lua branca, noite alta, tua falta,
caminhando, caminhando, caminhando, ao lado meu.
Uma saudade, uma vontade tão doída,
de uma vida, vida que morreu.
Estrada, passarada, noite clara,
meu caminho é tão sozinho, tão sozinho, a percorrer,
que mesmo andando para a frente,
olhando a lua tristemente
quanto mais ando, mais estou perto de você.
Se em vez de noite fosse dia,
e o sol brilhasse e a poesia
em vez de triste fosse alegre de partir.
Se em vez de eu ver só minha sombra nessa estrada
eu visse ao longo dessa estrada, uma outra sombra a me seguir.
Mas a verdade é que a cidade ficou longe, ficou longe
na cidade, se deixou meu bem-querer,
eu vou sozinho sem carinho,
vou caminhando meu caminho,
vou caminhando com vontade de morrer.
Is the best yet to come?
18/01/2012 às 10:24 | Publicado em Uncategorized | 1 ComentárioTags: laura fygi, música, vídeo
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Laura Fygi — The best is yet to come
Música de Cy Coleman e letra de Carolyn Leigh
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E depois disso tudo, de todo esse talento e trabalho, o DJ toca o disco nas suas vitrolinhas e diz que é “artista”.
Pra mim não, nem obrigado….
Salvem os compositores, músicos e cantores!
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