No Tom

14/02/2012 às 15:18 | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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            Não sei bem o que se me passa (envelheço, amadureço, enterneço?), mas a cada dia que passa gosto cada vez mais de Tom Jobim, em todos os sentidos, do homem à obra.

            Essa parceria dele com Dolores Duran, por exemplo, tem uma linda história.

            Tom havia feito a música e dado a Vinicius para pôr a letra, mas quando Dolores ouviu a canção, pegou um papelucho (consta que um guardanapo de papel) e escreveu os versos de uma só tacada.

            Alguns dias depois, Vinicius trouxe a sua letra para o Tom e este, constrangido, mostrou-lhe a que Dolores fizera. O poetinha ― sempre generoso e amigo ― ouviu, enfiou a sua no bolso sem deixar que Tom a lesse e lhe falou: “Fique com a da menina”.

            A letra de Dolores é de fato muito bonita e se harmoniza perfeitamente com a canção, que se tornou um clássico, mas como seriam os versos de Vinicius?

 

 

 

 

Estrada branca

28/01/2012 às 19:08 | Publicado em Uncategorized | 5 Comentários
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            “Estrada Branca” é o exemplo acabado do encontro de dois talentos na sua plenitude e exata completude.

            A fina melodia de Tom Jobim é uma ária à altura de qualquer um dos maiores compositores clássicos, e a letra de Vinicius de Moraes, na sua aparente simplicidade, é um poema de grande sofisticação e absoluto domínio técnico (rimas internas, aliterações, jogo de palavras), em perfeita harmonia com a melodia de Tom.

            A interpretação de Chico Buarque (que muitos desconsideram como cantor) nada deve a de mestres como Frank Sinatra, Caetano Veloso, Gal Costa, e até mesmo a divina Elizeth Cardoso, entre outros, que gravaram a canção.

  

 

                                    Estrada branca, lua branca, noite alta, tua falta,

                                    caminhando, caminhando, caminhando, ao lado meu.

                                    Uma saudade, uma vontade tão doída,

                                    de uma vida, vida que morreu.

                                    Estrada, passarada, noite clara,

                                    meu caminho é tão sozinho, tão sozinho, a percorrer,

                                    que mesmo andando para a frente,

                                    olhando a lua tristemente

                                    quanto mais ando, mais estou perto de você.

                                    Se em vez de noite fosse dia,

                                    e o sol brilhasse e a poesia

                                    em vez de triste fosse alegre de partir.

                                   Se em vez de eu ver só minha sombra nessa estrada

                                   eu visse ao longo dessa estrada, uma outra sombra a me seguir.

                                   Mas a verdade é que a cidade ficou longe, ficou longe

                                   na cidade, se deixou meu bem-querer,

                                   eu vou sozinho sem carinho,

                                   vou caminhando meu caminho,

                                   vou caminhando com vontade de morrer.

 

 

 

 

 

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