Posts from julho, 2009

Aviso aos Navegantes 2

 

 

                        Saio de férias amanhã e realizo um velho sonho de regressar à Europa, desta vez com minha mulher Maria Delucena, companheira e principal responsável da minha vida venturosa, mas que até agora resistia em se lançar a mais esta aventura comigo.

                        Voltaremos apenas no final do mês, portanto até lá os posts neste blog minguarão. Não sei nem mesmo se conseguirei postar alguma coisa nesse período. Mas vou tentar.

                        De todo modo, espero que estas férias sejam menos traumáticas e frustrantes do que aquelas de janeiro no Rio, e que ao atracar de volta meu barco encontre todos os amigos à minha espera neste blog, que tem sido o porto de chegada, ao qual me guia e conduz minha estrela binária.

                        Saudade e até breve.

 

.

O sonho roubado

 

 

Em homenagem, e desforra, a meu inconfidente companheiro

de viagem, que não me acompanhará nesta,

mas sempre estará comigo.

 

 

                        Às vezes ele acreditava em Deus. Às vezes, não.

                        Dizia ser um livre-pensador, cético ou agnóstico, mas alguma coisa, bem no fundo de si, acreditava ou queria crer.

                        Livre-pensador é uma redundância, pois que só é possível pensar com liberdade, aceitando ou admitindo aquilo que se harmoniza com a sua razão.

                        Cético não é o que duvida de tudo, mas antes o que acredita em tudo, ou melhor, numa coisa e no seu contrário também.

                        Agnóstico é um pernóstico, a que falta a coragem de ser materialista convicto ou acreditar no invisível.

                        Tudo isso ele também livremente pensava consigo mesmo.

                        O que de fato o incomodava e não conseguia compreender era o fanatismo religioso, que em vez de religar ou aproximar as pessoas, impinge a intolerância e o ódio entre crentes e incréus.

                        Lia sem parar, os escolásticos e os filósofos eminentes, mas cada porta que se lhe abria o levava a um vestíbulo com diversas outras portas cerradas.

                        Uma noite, em que tardou a dormir, depois de muita leitura, achando-se naquele estágio intermédio entre o sono e a vigília, a revelação se fez!

                        Com clareza e lógica perfeita, os argumentos foram se encadeando em sua mente, até que ficasse demonstrada de forma evidente e incontestável a existência de Deus!

                        Como ninguém havia pensado nisso antes? Era tudo tão cristalino, tão óbvio, tão exato!

                        Apaziguado e sentindo uma felicidade plena, finalmente adormeceu, a prometer que tão logo despertasse  registraria para a humanidade a sua comprovação definitiva da existência de Deus.

                        Na manhã seguinte, lembrava-se do que havia acontecido, mas não lhe acudia como desenvolver o raciocínio perfeito. Ao contrário, a cada argumento ou hipótese de que cogitava, inúmeras dúvidas e contradições lhe assaltavam.

                        Concluiu então que, se existe ou não, Deus resiste.                  Deus 3