Estamos em Paris faz menos de 24 horas e com muito a contar. Antes disso, contudo, uma derradeira emoção em Portugal. (Notem que por amor ao idioma, estou me vendo obrigado a não usar palavras com acento agudo, cujo sinal não consigo achar neste teclado…).
Em Lisboa me vi tomado de uma euforia juvenil, de um entusiasmo enorme, de uma rara energia vital. Delucena, mais calma e vagarosa, sofreu para me acompanhar no começo, mas pouco a pouco fomos nos ajustando e, enquanto ela descansava no hotel depois dos passeios matinais, continuava eu, ao cair da longa tarde, com sofreguidão e alumbrado, a percorrer avenidas, ruas e becos do Rossio, Chiado, Alfama, Bairro Alto.
Mais do que conhecer um lugar, uma cidade pela primeira vez, gosto de retornar ao lugar, rever e reviver a cidade.
Todavia, ainda não tinha ido ao Cabo da Roca, o nariz do continente europeu, o ponto mais avançado e derradeiro de suas terras ocidentais, “onde a terra se acaba e o mar começa”, cantou Camões.
Tinha fascinação para conhecer o local, especialmente porque imagino o que sentiam e pensavam os navegadores do tempo dos descobrimentos, quando passavam pelo cabo, rumo ao oceano infindo e desconhecido, em busca de novos mundos. Com toda a razão dizem alguns que a aventura daqueles navegantes foi tão ou mais audaciosa do que as viagens espaciais.
O Cabo da Roca me fez sentir todas as emoções que imaginava, e muito mais. Por isso não resisti a comprar, como um menino, um lindo e pomposo comprovante da minha presença no local, que parece um diploma, com fitas e medalha, em que consta meu nome caligrafado caprichosamente na hora, com uma sutileza a que me permiti, marotamente:
ANTONIO CARLOS AUGUSTO DA GAMA.
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