Briguei com o blog

 

                        Durante a viagem a Lisboa e Paris, ao contrário do que supunha, escrevi quase diariamente neste blog. Além do estímulo de tudo o que via, acontecia e sentia, os momentos que passava diante do computador, escrevinhando (e em luta feroz com o teclado francês) mantinham-me em conexão com o Brasil e com os amigos daqui, quase como se estivéssemos todos juntos, sentados à mesa de um café lisboeta ou parisiense, conversando animadamente. 

                        De modo estranho e surpreendente, ao retornar vi-me tomado de sentimento oposto, um bloqueio ou uma necessidade de me manter afastado do blog, como a dar um tempo para encerrar um capítulo e abrir outro. Não se tratou de uma atitude premeditada, sequer consciente. Muito pelo contrário, só agora começo a racionalizar e tentar compreender o que se passou.

                        Essa minha reação talvez esteja na mesma linha de outra, mais comum, que sempre me acomete, e possivelmente a muitas outras pessoas que retornam de um período de férias.

                        Passo os primeiros dias após o regresso um tanto fora do ar, sem conseguir retomar a rotina (ou resistindo a retomá-la). Um centauro, em que uma parte quer prosseguir simplesmente fruindo a vida, enquanto a outra metade o arrasta para as obrigações e os compromissos que ficaram suspensos. Só não sei definir qual dessas metades é a humana, e qual, a equina.

                        De todo modo, com este post espero que o homem e a besta (que muito mais sou) estejam finamente de volta.

 

 

 

3 comentários

  1. Lilian
    03/08/09 at 11:36

    Dá pra entender perfeitamente, doutor. Sempre precisamos de um tempo entre uma passagem e outra (daí a necessidade dos “ritos”?); algumas vezes fica até difícil conciliar uma situação com a outra. É como se fossem mundos diferentes, aos quais temos que nos adaptar, ainda que forçosamente, para que tudo entre nos eixos, nos levando à rotina, de novo.
    Totalmente normal. Não me queixarei mais de “desamparo intelectual” e o que é mais importante: de alma, de amigos, de irmãos que somos de filiação divina.
    Mais uma vez, seja bem vindo!

  2. bellgama
    03/08/09 at 11:56

    Papilly, tô chocada. Entra no meu blog e veja o meu último post, praticamente simultâneo ao seu! Ti doro! beijos

  3. sonia kahawach
    03/08/09 at 13:14

    Bem vindo seja ó besta-humana! Normal tudo o que sente e transmite. Acho que ninguém retorna de um sonho bom com vontade de rever a rotina. Até porque a tal rotina é infastiante. Mas, feliz ou infelizmente, ela é a vida que nos espera sorrindo.
    Os dias passados serão sempre lembrança doce em sua memória. Isto é o bom de poder viver alguns sonhos.
    Feliz retorno! E pra gente que aqui ficou, bom sabê-lo “quase” chegando pra continuarmos a brindar com v. mesmo que não seja num café lisboeta ou parisiense.

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