Durante a viagem a Lisboa e Paris, ao contrário do que supunha, escrevi quase diariamente neste blog. Além do estímulo de tudo o que via, acontecia e sentia, os momentos que passava diante do computador, escrevinhando (e em luta feroz com o teclado francês) mantinham-me em conexão com o Brasil e com os amigos daqui, quase como se estivéssemos todos juntos, sentados à mesa de um café lisboeta ou parisiense, conversando animadamente.
De modo estranho e surpreendente, ao retornar vi-me tomado de sentimento oposto, um bloqueio ou uma necessidade de me manter afastado do blog, como a dar um tempo para encerrar um capítulo e abrir outro. Não se tratou de uma atitude premeditada, sequer consciente. Muito pelo contrário, só agora começo a racionalizar e tentar compreender o que se passou.
Essa minha reação talvez esteja na mesma linha de outra, mais comum, que sempre me acomete, e possivelmente a muitas outras pessoas que retornam de um período de férias.
Passo os primeiros dias após o regresso um tanto fora do ar, sem conseguir retomar a rotina (ou resistindo a retomá-la). Um centauro, em que uma parte quer prosseguir simplesmente fruindo a vida, enquanto a outra metade o arrasta para as obrigações e os compromissos que ficaram suspensos. Só não sei definir qual dessas metades é a humana, e qual, a equina.
De todo modo, com este post espero que o homem e a besta (que muito mais sou) estejam finamente de volta.
Dá pra entender perfeitamente, doutor. Sempre precisamos de um tempo entre uma passagem e outra (daí a necessidade dos “ritos”?); algumas vezes fica até difícil conciliar uma situação com a outra. É como se fossem mundos diferentes, aos quais temos que nos adaptar, ainda que forçosamente, para que tudo entre nos eixos, nos levando à rotina, de novo.
Totalmente normal. Não me queixarei mais de “desamparo intelectual” e o que é mais importante: de alma, de amigos, de irmãos que somos de filiação divina.
Mais uma vez, seja bem vindo!
Papilly, tô chocada. Entra no meu blog e veja o meu último post, praticamente simultâneo ao seu! Ti doro! beijos
Bem vindo seja ó besta-humana! Normal tudo o que sente e transmite. Acho que ninguém retorna de um sonho bom com vontade de rever a rotina. Até porque a tal rotina é infastiante. Mas, feliz ou infelizmente, ela é a vida que nos espera sorrindo.
Os dias passados serão sempre lembrança doce em sua memória. Isto é o bom de poder viver alguns sonhos.
Feliz retorno! E pra gente que aqui ficou, bom sabê-lo “quase” chegando pra continuarmos a brindar com v. mesmo que não seja num café lisboeta ou parisiense.