Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta
Manuela da Gama Gomes é o nome
Que faz de mim mais um avô banana
A espalhar o imenso amor que o consome
Por toda a parte e além da Taprobana,
E a dispor-se servir sua querida
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Para tão longo amor tão curta a vida!
.
Seja bem vinda, Manuela! Agora, além do seu avô “banana” (palavras DELE… eu não penso assim), você terá todo um séquito de admiradores (inclusive eu) a esperá-la também… Estarei torcendo para que você goste muiiiiiiito de poesia! E música! Um beijo Manuela!
Meu “presente” para Manuela (assim que ela estiver mais grandinha, e for iniciada nas letras, gostaria que sua mamãe a incentivasse a ler o poema mais bonito que já vi):
AINDA UMA VEZ ADEUS – Gonçalves Dias
I
Enfim te vejo! – enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!
II
Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!
III
Louco, aflito, a saciar-me
D’agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esperança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!
IV
Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quanto hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.
V
Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura…
Olha-me bem, que sou eu!
VI
Nenhuma voz me diriges!…
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias – bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!
VII
Oh! se lutei!… mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?
VIII
Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t’esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias
T’esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!
IX
Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!
X
Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
“Ela é feliz (me dizia)
“Seu descanso é obra minha.”
Negou-me a sorte mesquinha…
Perdoa, que me enganei!
XI
Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!
XII
Enganei-me!… – Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu’era…
E um louco fui, nada mais!
XIII
Louco, julguei adornar-me
Com palmas d’alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
C’o que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.
XIV
Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera…
E eu! eu fui que a não quis!
XV
És doutro agora, e pr’a sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontras
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!
XVI
Dói-te de mim, que t’imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!… de não ter ousado
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!
XVII
Adeus qu’eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!
XVIII
Lerás porém algum dia
Meus versos d’alma arrancados,
D’amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; – e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, – de compaixão.
Lilian,
Não há presente mais lindo do que um poema.
Vou guardar este comentário seu para um dia mostrá-lo à Manuela, que haverá de gostar de ler.
Um beijo.
PARABÉNS! SEJA BEM VINDO AO CLUBE DOS AVÓS!
Em outra ocasião eu lhe disse que em breve v. ia conhecer outra faceta do amor e eis que agora surge MANUELA. Que nome lindo!
E a gente cala…sente fundo…e surge a oração lá do fundo: GRAÇAS, SENHOR, PELAS MINHAS FILHAS QUE SÃO PORTADORAS DE MEUS NETOS.
E assim, querido, a família volta a crescer.
E você, no reino que lhe pertence, continua o único varão reinando.
Parabéns à Carol, ao papai da Manuela, às tias Bell e Julia.
Um beijo muito especial pra Macena estreando de avó.
Grande beijo a todos e Deus os abençõe.
Sonia,
Groucho Marx dizia que jamais entraria num clube que o aceitasse como sócio…
Mas neste eu entro, com todo o prazer e orgulho do mundo.
Segundo o querido Vô Tufy, os avós são pais com açúcar. Se for assim, a Manuela corre o risco de ingerir excesso de calorias.
Beijão.
Que lindo! Obrigado…
Pai, que coisa linda. Vamos guardar para sempre esse poema, que é lindo demais. E a Manuela agradece as homenagens das leitoras Lilian e Sonia. um beijo a todos, Carol
Manuela.
Seja bem vinda à vida e a esta família maravilhosa.
Desejo, honestamente, que seu DNA tenha algumas características particulares e peculiares:
do papai a retidão de caráter e o senso crítico;
da mamãe a personalidade e a inteligência;
do vovô a vasta cultura e a veia poética;
da vovó a irreverência e o bom humor;
da tia bell a veia artística;
da tia julia a seriedade.
Brincadeiras a parte, desejo que seja feliz e transmita felicidade a todos que a rodeiam
Um beijo e até breve.
Tio Gui
Viva a Manu, a melhor de todos! Lindo, papi!