Manuela da Gama Gomes

 

 

                              Cesse tudo o que a Musa antiga canta,

                              Que outro valor mais alto se alevanta

                              Manuela da Gama Gomes é o nome

                              Que faz de mim mais um avô banana

                              A espalhar o imenso amor que o consome

                              Por toda a parte e além da Taprobana,

                              E a dispor-se servir sua querida

                              Dizendo: — Mais servira, se não fora

                              Para tão longo amor tão curta a vida!

 

 

 .

9 comentários

  1. Lilian
    09/10/09 at 17:18

    Seja bem vinda, Manuela! Agora, além do seu avô “banana” (palavras DELE… eu não penso assim), você terá todo um séquito de admiradores (inclusive eu) a esperá-la também… Estarei torcendo para que você goste muiiiiiiito de poesia! E música! Um beijo Manuela!

  2. Lilian
    09/10/09 at 17:31

    Meu “presente” para Manuela (assim que ela estiver mais grandinha, e for iniciada nas letras, gostaria que sua mamãe a incentivasse a ler o poema mais bonito que já vi):

    AINDA UMA VEZ ADEUS – Gonçalves Dias

    I
    Enfim te vejo! – enfim posso,
    Curvado a teus pés, dizer-te,
    Que não cessei de querer-te,
    Pesar de quanto sofri.
    Muito penei! Cruas ânsias,
    Dos teus olhos afastado,
    Houveram-me acabrunhado
    A não lembrar-me de ti!
    II
    Dum mundo a outro impelido,
    Derramei os meus lamentos
    Nas surdas asas dos ventos,
    Do mar na crespa cerviz!
    Baldão, ludíbrio da sorte
    Em terra estranha, entre gente,
    Que alheios males não sente,
    Nem se condói do infeliz!
    III
    Louco, aflito, a saciar-me
    D’agravar minha ferida,
    Tomou-me tédio da vida,
    Passos da morte senti;
    Mas quase no passo extremo,
    No último arcar da esperança,
    Tu me vieste à lembrança:
    Quis viver mais e vivi!
    IV
    Vivi; pois Deus me guardava
    Para este lugar e hora!
    Depois de tanto, senhora,
    Ver-te e falar-te outra vez;
    Rever-me em teu rosto amigo,
    Pensar em quanto hei perdido,
    E este pranto dolorido
    Deixar correr a teus pés.
    V
    Mas que tens? Não me conheces?
    De mim afastas teu rosto?
    Pois tanto pôde o desgosto
    Transformar o rosto meu?
    Sei a aflição quanto pode,
    Sei quanto ela desfigura,
    E eu não vivi na ventura…
    Olha-me bem, que sou eu!
    VI
    Nenhuma voz me diriges!…
    Julgas-te acaso ofendida?
    Deste-me amor, e a vida
    Que me darias – bem sei;
    Mas lembrem-te aqueles feros
    Corações, que se meteram
    Entre nós; e se venceram,
    Mal sabes quanto lutei!
    VII
    Oh! se lutei!… mas devera
    Expor-te em pública praça,
    Como um alvo à populaça,
    Um alvo aos dictérios seus!
    Devera, podia acaso
    Tal sacrifício aceitar-te
    Para no cabo pagar-te,
    Meus dias unindo aos teus?
    VIII
    Devera, sim; mas pensava,
    Que de mim t’esquecerias,
    Que, sem mim, alegres dias
    T’esperavam; e em favor
    De minhas preces, contava
    Que o bom Deus me aceitaria
    O meu quinhão de alegria
    Pelo teu, quinhão de dor!
    IX
    Que me enganei, ora o vejo;
    Nadam-te os olhos em pranto,
    Arfa-te o peito, e no entanto
    Nem me podes encarar;
    Erro foi, mas não foi crime,
    Não te esqueci, eu to juro:
    Sacrifiquei meu futuro,
    Vida e glória por te amar!
    X
    Tudo, tudo; e na miséria
    Dum martírio prolongado,
    Lento, cruel, disfarçado,
    Que eu nem a ti confiei;
    “Ela é feliz (me dizia)
    “Seu descanso é obra minha.”
    Negou-me a sorte mesquinha…
    Perdoa, que me enganei!
    XI
    Tantos encantos me tinham,
    Tanta ilusão me afagava
    De noite, quando acordava,
    De dia em sonhos talvez!
    Tudo isso agora onde pára?
    Onde a ilusão dos meus sonhos?
    Tantos projetos risonhos,
    Tudo esse engano desfez!
    XII
    Enganei-me!… – Horrendo caos
    Nessas palavras se encerra,
    Quando do engano, quem erra.
    Não pode voltar atrás!
    Amarga irrisão! reflete:
    Quando eu gozar-te pudera,
    Mártir quis ser, cuidei qu’era…
    E um louco fui, nada mais!
    XIII
    Louco, julguei adornar-me
    Com palmas d’alta virtude!
    Que tinha eu bronco e rude
    C’o que se chama ideal?
    O meu eras tu, não outro;
    Stava em deixar minha vida
    Correr por ti conduzida,
    Pura, na ausência do mal.
    XIV
    Pensar eu que o teu destino
    Ligado ao meu, outro fora,
    Pensar que te vejo agora,
    Por culpa minha, infeliz;
    Pensar que a tua ventura
    Deus ab eterno a fizera,
    No meu caminho a pusera…
    E eu! eu fui que a não quis!
    XV
    És doutro agora, e pr’a sempre!
    Eu a mísero desterro
    Volto, chorando o meu erro,
    Quase descrendo dos céus!
    Dói-te de mim, pois me encontras
    Em tanta miséria posto,
    Que a expressão deste desgosto
    Será um crime ante Deus!
    XVI
    Dói-te de mim, que t’imploro
    Perdão, a teus pés curvado;
    Perdão!… de não ter ousado
    Viver contente e feliz!
    Perdão da minha miséria,
    Da dor que me rala o peito,
    E se do mal que te hei feito,
    Também do mal que me fiz!
    XVII
    Adeus qu’eu parto, senhora;
    Negou-me o fado inimigo
    Passar a vida contigo,
    Ter sepultura entre os meus;
    Negou-me nesta hora extrema,
    Por extrema despedida,
    Ouvir-te a voz comovida
    Soluçar um breve Adeus!
    XVIII
    Lerás porém algum dia
    Meus versos d’alma arrancados,
    D’amargo pranto banhados,
    Com sangue escritos; – e então
    Confio que te comovas,
    Que a minha dor te apiade
    Que chores, não de saudade,
    Nem de amor, – de compaixão.

    • Antonio Carlos
      10/10/09 at 11:55

      Lilian,

      Não há presente mais lindo do que um poema.

      Vou guardar este comentário seu para um dia mostrá-lo à Manuela, que haverá de gostar de ler.

      Um beijo.

  3. sonia kahawach
    09/10/09 at 19:01

    PARABÉNS! SEJA BEM VINDO AO CLUBE DOS AVÓS!
    Em outra ocasião eu lhe disse que em breve v. ia conhecer outra faceta do amor e eis que agora surge MANUELA. Que nome lindo!
    E a gente cala…sente fundo…e surge a oração lá do fundo: GRAÇAS, SENHOR, PELAS MINHAS FILHAS QUE SÃO PORTADORAS DE MEUS NETOS.
    E assim, querido, a família volta a crescer.
    E você, no reino que lhe pertence, continua o único varão reinando.
    Parabéns à Carol, ao papai da Manuela, às tias Bell e Julia.
    Um beijo muito especial pra Macena estreando de avó.
    Grande beijo a todos e Deus os abençõe.

    • Antonio Carlos
      10/10/09 at 11:59

      Sonia,

      Groucho Marx dizia que jamais entraria num clube que o aceitasse como sócio…

      Mas neste eu entro, com todo o prazer e orgulho do mundo.

      Segundo o querido Vô Tufy, os avós são pais com açúcar. Se for assim, a Manuela corre o risco de ingerir excesso de calorias.

      Beijão.

  4. Marcel
    13/10/09 at 9:17

    Que lindo! Obrigado…

  5. Carol
    13/10/09 at 9:50

    Pai, que coisa linda. Vamos guardar para sempre esse poema, que é lindo demais. E a Manuela agradece as homenagens das leitoras Lilian e Sonia. um beijo a todos, Carol

  6. GUILHERME GARCIA
    15/10/09 at 14:17

    Manuela.

    Seja bem vinda à vida e a esta família maravilhosa.

    Desejo, honestamente, que seu DNA tenha algumas características particulares e peculiares:
    do papai a retidão de caráter e o senso crítico;
    da mamãe a personalidade e a inteligência;
    do vovô a vasta cultura e a veia poética;
    da vovó a irreverência e o bom humor;
    da tia bell a veia artística;
    da tia julia a seriedade.

    Brincadeiras a parte, desejo que seja feliz e transmita felicidade a todos que a rodeiam

    Um beijo e até breve.

    Tio Gui

  7. bellgama
    15/10/09 at 16:50

    Viva a Manu, a melhor de todos! Lindo, papi!

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