— Bom dia (ou boa tarde ou boa noite). Como vai? É um prazer revê-lo!
— Bom dia (ou boa tarde ou boa noite). Igualmente.
A cordialidade entre nós soa falsa. Ambos sabemos disso. Mas com velada ironia insistimos nela.
Os encontros (ou confrontos) são sempre tensos. Porque nos conhecemos tanto, vivemos a nos estranhar.
Raramente nos sentimos apaziguados. Num fim de noite, num meio de página, num verso, num acorde de canção, numa taça de vinho, num suspiro.
Ele sabe o que penso. Eu penso que sei o que ele sabe e pensa.
Ele conhece meus disfarces e eu, as máscaras que usa.
Siameses contrapostos, fazemos as vezes um do outro.
Eu vivo nele e ele existe em mim.
Um dia (ou uma tarde ou uma noite), nos despediremos enfim.