Assisti à reprodução da entrevista de Geneton com Vandré, desta vez junto com a querida Delucena que já naquela época era minha amada e companheira, e nos emocionamos às lágrimas ao recordar de como ele era, como éramos nós, e do tempo efervescente dos festivais (embora, como o próprio Vandré dizia, a vida não se resumisse a festivais…).
Ando acabrunhado esta semana pelo impacto que me causou a entrevista e a triste figura quixotesca de Vandré.
O comentário da Sonia ao post anterior é um depoimento valioso sobre os encantos do moço Vandré, a quem ela teve o privilégio de conhecer pessoalmente.
Quando me sinto assim, a autoterapia que me aplico é levar a nostalgia ao paroxismo, para que ela então comece a abrandar.
Assim, andei pesquisando no You Tube vídeos com apresentações de Vandré, que são raríssimos. Creio que boa parte deva ter sido destruída pelos incêndios da Record, não a do Bispo Macedo, mas a grande e heroica Record da família Machado de Carvalho. Aliás, Paulo Machado de Carvalho Filho morreu neste mês e no blog do Roberto Rockmann, Tudo e Nada, há uma série de posts excelentes sobre ele e a velha Record.
Encontrei no You Tube essa verdadeira joia, um fragmento de Geraldo Vandré cantando ao vivo Aroeira, acompanhado do Trio Maraiá e do Quarteto Novo, no que me parece ser um dos inesquecíveis Shows do Dia 7.
Além da força da apresentação de Vandré, notem à esquerda dele (no lado direito da tela) uma cabeçorra com o cabelo curtinho, que de vez em quando aparece, integrando o Quarteto Novo. Trata-se nada mais nada menos do que o mestre Hermeto Pascoal, bem jovem, no início de carreira. Ele aparece pela primeira vez quando Vandré entoa o refrão (“Marinheiro, marinheiro, quero ver você no mar, eu também sou marinheiro, eu também sei governar…”). Pouco antes passa ao fundo um sujeito completamente alheio ao que acontece, entornando um copo (não posso ter certeza, mas creio que seja Ricardo Corte Real, quase menino, que trabalhava na Família Trapo). Hermeto volta a aparecer outras vezes, fugazmente.
É um verdadeiro documento histórico!
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Também fiquei muito e muito triste de ver a figura que aquele homem se tornou. Um poço de amargura, um senhorzinho alquebrado e quebrado pela vida que teve após um período de grande glória e luz.
Se eu o visse na rua jamais o reconheceria e custei a crer que aquele era mesmo o Geraldo Vandré. Algo que vai ficar marcado na lembrança como nódoa, constatando o que se pode provocar na vida das pessoas sem direito e sem motivo.
Ricardo Corte Real. Não seria “Renato” Corte Real?
(Também faço isto: quando gosto ou descubro algo precioso, vou até o fundo, várias vezes, vivendo toda a emoção que possa proporcionar. E daí, toco a vida. Não antes.)
É Ricardo mesmo. Filho do Renato Corte Real, que naquele tempo já era homem maduro.