Em alguma parte alguma,
ao poeta Ferreira Gullar,
às vezes o cidadão maranhense
José Ribamar Ferreira
Mar
de Netuno e Odisseu
quimera
(quisera-te também meu)
Mar
venturoso
e saudoso
(“quanto do teu sal são lágrimas de Portugal?”)
Mar
tinto de sangue
que se abre à fé de Moisés
(ao passo que só tatuo na tua areia o rastro breve dos pés)
Mar
marinho
ninho darwiniano
o arminho de tuas ondas
é manto que agasalha a quem
naufraga neste vasto mundo além
Mar
(e nem sequer me chamo Ribamar…)
Mar
oceano
bento
e profano
Mar
pleno
infindo
espaço
Mar
Vermelho
Negro
Morto
Mar
maranhoso
de arrefice
e sargaço
(em que me encalho aquém porto)