Confesso que foi amor à primeira vista (ainda que se tratasse de uma primeira visão indireta, apenas da imagem dela).
Confesso que pensava já haver esgotado os arroubos da paixão.
Confesso que sempre me dei bem com as mulheres, tive algumas na vida e, além dela, ainda mantenho relações amorosas distintas com quatro outras, sem as quais não saberia viver.
Confesso que quando finalmente a tive nos braços, todas as velhas paixões adormecidas e aquelas que ainda não havia imaginado arrebataram-me completamente.
Confesso que nestes últimos oito meses tenho vivido por e para ela.
Confesso que tenho cometido excessos e estou numa idade em que devo me precaver, não sou mais um jovenzinho.
Confesso que passo todo o tempo que posso a beijá-la, acariciá-la e a lhe dizer aquelas gracinhas tolas dos apaixonados (com a voz em falsete ou num grave cavernoso), fazendo de tudo para que ela me conceda a graça da sua risada, que para mim soa como sinfonia que jamais olvido.
Confesso que de vez em quando a banho e penteio com carinho e devoção que causariam inveja ao Bentinho machadiano.
Confesso que me enrosco e rolo com ela na minha cama, e muitas vezes nos arrastamos pelo chão, como bichos.
Confesso que, mesmo ela sendo menor de idade, vou levá-la para um hotel neste fim de semana prolongado, para que conheça o mar e o Rio de Janeiro, que então verdadeiramente e para sempre será a Cidade Maravilhosa.
Confesso que sou um avô babão, sem remissão.
“Ah, desgraçado leitor, que nunca penteaste o cabelo de sua amada.”
Sabia que você ia se lembrar…
Feliz aniversário para nós.
Abração
Ai, que delícia de confissão. E eu então, que sou uma voyeur desse amor desmedido. Beijo
realmente é impossível não se render aos encantos de nossa garota de copacabana… e ela sequer foi à praia, a desfilar com seus biquininhos encantadores…