Posts from dezembro, 2010

Carlos Drummond de Andrade e o Estado Novo

 

 

 

 

                        Trata-se de uma óbvia provocação, porém instigante, do amigo que sabe muito bem pisar o calo do outro.

                        Ao comentar o post A mão, o pintor e o poeta, que escrevi em resposta a uma indagação dele mesmo, Rockmann ataca outra vez: “O senhor, que é um estudioso da literatura, que acha do poema “José”, do Drummond. Quando ele diz “E agora, José?” está pensando na situação política do país? será que está fazendo um mea culpa de ter aderido ao Estado Novo?”.

                        O “senhor” é mais uma provocação, a que já me acostumei e relevo.

                        Mas a especulação sobre Drummond ter aderido ao Estado Novo — feita por muitos — não posso deixar passar em branco, e provavelmente Rockmann já saiba muito bem o que direi.

                        Convém esclarecer, desde logo, que não sou um estudioso da literatura. Sou apenas um leitor enlevado e intuitivo, e por isso mesmo assistemático e desorganizado.

                        Digo, pois, na condição pura e simples de leitor que raramente me agradam os escritores (e os artistas em geral) ditos engajados. Há pouquíssimas obras dessa vertente que ficaram, e as que permaneceram foram por méritos outros. Diria mesmo que malgrado o engajamento. Isso não significa que a arte seja ou deva ser um fim em si mesmo. A arte será sempre transformadora, e isso nada tem a ver com ideologia ou sectarismo.

                        Não apenas Drummond, mas outros escritores absolutamente geniais como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Jorge Luis Borges e mais recentemente Ferreira Gullar são com frequência acusados de alheamento, adesismo ou de serem reacionários.

                        O poema José de Carlos Drummond de Andrade tem como mote uma frase prosaica (há quem sustente também que com o tempo a sua poesia teria se tornado prosaica), um dito popular que reflete a incerteza ou o desalento em face das agruras, dos insucessos ou das decepções cotidianas: E agora José? José o homem comum, o nome comum, que nos representa a todos.

                        Um homem comum era o carpinteiro José, que já maduro se casou com a jovem Maria e se viu envolvido no mistério da Imaculada Conceição e na paixão daquele que seria o Filho do Senhor, cuja guarda lhe foi confiada. O que terá pensado, passado, sofrido, temido o pobre e rude José? E agora José?

                        A partir dessa indagação, dessa frase transformada em verso, Drummond desfia a sua — a nossa — perplexidade diante da vida e do mundo.

                        Drummond se dizia um poeta sem metafísica, mas não convém acreditar em tudo o que fala o poeta, que é um fingidor.

                        Em José e muitos outros poemas seus a metafísica, mesmo dissimulada, está presente. Já tratei disso em outro post (que por razões que desconheço é o mais acessado até hoje do blog), Carlos Drummond de Andrade e a máquina do mundo, publicado em 24/4/2009.

                        Quanto à adesão de Drummond ao Estado Novo de Vargas e ao suposto arrependimento posterior, que de algum modo estaria refletido no poema José, não me convenço minimamente, nem mesmo creio que uma e outro (a adesão e o arrependimento) tenham de fato ocorrido.

                        Ainda que haja anotado acima que não se deva tomar como verdade tudo o que o poeta diz em sua obra, a regra não se aplica ao homem, já no ocaso da vida, que rememora episódios vividos e reflete serenamente sobre si mesmo.

                        Dou portanto a palavra ao próprio Drummond, na sua última e talvez melhor entrevista concedida pouco antes de morrer a Geneton Moraes Neto e transformada no ótimo Dossiê Drummond, a que também já me referi aqui.

                        Ao ser indagado por que durante tantos anos havia se resguardado de aparecer em público e dar entrevistas, explicou:

 

                        Aparentemente é verdade. Mas na realidade, não é bem assim. É que eu mudei de profissão. Fui chefe de gabinete do ministro da Educação, o meu amigo Capanema, de 1934 a 1945. Nesse período, eu não podia aparecer dando entrevistas porque a minha função exigia um certo resguardo. Mas eu tinha as portas abertas na minha sala de trabalho. Os jornalistas, os repórteres e as outras pessoas que iam me procurar sabiam que eu era uma pessoa fácil de conversar. Era meu dever atender a todo mundo. Isso passou despercebido às pessoas que acham que eu me fechei em copas.

                        A partir de 1945, tive uma atuação política muito curta e muito decepcionante, me incorporando ao Partido Comunista, embora eu não me alistasse no Partido. Fui simpatizante efetivo e atuante. Fui co-diretor de um jornal comunista. E esse período foi também frustrante [Depois de deixar a chefia de gabinete do ministro Gustavo Capanema, Drummond é convidado por Luís Carlos Prestes para ocupar o cargo de co-diretor do diário comunista Tribuna Popular. Aceita. Poucos meses depois, afasta-se por discordar da orientação do jornal.]

                        Tentei comparecer a atos públicos, tentei realmente participar da atividade comunista, mas, depois de alguns meses, me desencantei. A partir de então, me cerrei, porque, terminada a minha vida de funcionário público e de ativista político e iniciada a de puramente jornalista, achei que, ao dar as minhas opiniões e meus palpites — que nunca me neguei a dar — na minha crônica e no meu palmo de coluna assinado, eu mantinha o contato com o público, o que era o mais correto.

                        Eu me recusava a participar de atos públicos porque, por minha natureza, não gosto, não sou pessoa inclinada a fazer vida social e participar de almoço, jantar, coquetel e festa. Então, me fechei, nesse sentido. Toda vez que um repórter me procurava para pedir uma opinião, eu dizia assim: “A minha opinião saiu na minha coluna”.

 

                        Perguntado sobre a causa política com que simpatizava na época e se o Partido Verde o entusiasmava, responde com alguma ironia, que lhe é peculiar:

 

                        Acho o Partido Verde muito limitado. Por que somente verde? Eu seria partidário de todas as cores do arco-íris: vermelho vivo do sangue que palpita nas artérias ao azul do céu. O partido que eu gostaria de ver implantado no Brasil, com condições de realmente assumir o poder ou de partilhar o poder com partidos mais burgueses, seria o Partido Socialista.

 

                        Finalmente, para não me alongar em demasia, em outro trecho da entrevista em que trata das duras críticas que recebeu e se teria se magoado, relata:

 

                        Não, não. Eu ficava um pouco chateado quando moço, com a história da “pedra no caminho”, porque tinha uma certa conotação política. Como meu cargo era de confiança do ministro, muitas vezes chegavam até o chefe de gabinete… [Drummond foi chefe de gabinete do ministro da Educação e da Saúde Pública, Gustavo Capanema, no primeiro governo de Getúlio Vargas] Então, me esculhambavam e me acusavam de favoritismo político e de arranjar nomeação de pessoas para falarem bem de mim nos jornais, o que é absolutamente falso. Eu não tinha poder para isso! Era um homem de confiança do ministro. Ele foi meu colega de colégio. Éramos íntimos amigos. Eu não trairia a confiança de Gustavo Capanema fazendo coisas assim. Ele era homem muito arguto: perceberia logo que eu estava fazendo mal uso.

                        Eu não tinha acesso ao presidente da República ou aos ministros. Era um secretário do ministro, essa é que é a verdade. Durante os onze anos que trabalhei com Gustavo nunca tive a oportunidade de substituí-lo. Ele não viajava quase nunca. Quando viajava, era um ministro qualquer — não me lembro qual era — que o substituía interinamente. Mas depois que saí do Ministério, aconteceu de o chefe de gabinete ser eventualmente o ministro interino. Nunca subi a essas alturas e nunca tive oportunidade de conversar com Getúlio, embora fosse acusado de poeta ligado ao Estado Novo. Eu não tinha nada com o Estado Novo!”.

 

                        Uma derradeira observação: José integra o livro Sentimento do Mundo, publicado em 1940, a que se seguiu A Rosa do Povo, em 1945, nos quais estão os poemas considerados mais “ativistas” ou “políticos” de Drummond, escritos em pleno período da Segunda Guerra Mundial e da ditadura Vargas, sob o impacto do regime de terror implantado pelo nazifascismo (logo depois também pelo comunismo) e diante da necessidade de reconstrução do humano, como paradigma e referencial ético, que me parece ter sido sempre a preocupação básica da poesia drummoniana, e também do homem — certamente imperfeito, mas admirável — que a laborou.

 

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=CaexXJ6UFnw]

 

 

 

 

BABU, a revelação

 

 

 

 

                        Na guerra e no amor vale tudo!

                        Por isso não hesitei nas minhas estratégias sorrateiras de convencimento e cooptação.

                        Quando ela começou a articular os primeiros sons, toda vez em que ficávamos sozinhos tentava ensiná-la a primeira e mais gloriosa das palavras: VOVÔ! VO─VÔ, VO─VÔ, VO─VÔ, repetia sem parar, caprichando na fonação.

                        Mas ela só me olhava e sorria, como se fosse apenas mais uma brincadeira desse sujeito dado a palhaçadas que não é a mamãe, não é o papai, mas não sai de perto de mim… E eu até agosto dele…

                        Admito que era uma tática traiçoeira em relação aos genitores, mas às favas os escrúpulos da consciência, como disse Jarbas Passarinho ao subscrever o AI-5. Invoco meus direitos de precedência, antiguidade é posto!

                        Prossegui, pois, na tramoia e passei a contar com a consultoria valiosa de um comparsa, o ótimo amigo e pediatra Dabori, que me instruiu que a pronúncia do “V” é difícil para os bebês e que deveria ensiná-la a dizer “BOBÔ”. Gostei da ideia: “BOBÔ”, misto de ‘”VOVÔ” e “BÔBO”, que é o que realmente sou.

                        Persisti: BOBÔ, BO─BÔ, BO─BÔ, BO─BÔ…

                        Já alertava Einstein que a natureza não dá saltos. Fracassei rotundamente. Primeiro ela falou NENÊ, logo em seguida MÃMÃ, que em alguns momentos chega a refinar para MAMY e até para um perfeito MAMÃE. Quase ao mesmo tempo repicou: PA─PA─PA─PA, a desdobrar o seu amor pelos que por ela se desdobram.

                        Perdida a batalha, não me entreguei. Parti para a guerrilha, me contentando em vencer a avó: BOBÔ, BO─BÔ, BO─BÔ, BO─BÔ…

                        Ela ria e devolvia: NENÊ, MÃMÃ, PA─PA─PA─PA, a me colocar no devido lugar.

                        Um belo dia, com minhas tropas aos frangalhos, quase batendo em retirada, vou até o quarto onde ela se encontra com a mãe e assim que me vê se põe a engatinhar em minha direção repetindo: BABU, BABU, BABU (com a tônica no “u”), e me jogou os braços para lavá-la ao colo.

                        Carolina e eu nos entreolhamos algo desconfiados. Seria possível?

                        Preferi não me precipitar e aguardar a confirmação, que foi sendo feita aos poucos.

                        Já não há dúvida agora.

                        Após a libertação de Julian Assange, fontes do WikiLeaks divulgaram um telegrama do embaixador norte-americano ao Pentágono e ao Presidente Obama esclarecendo o significado do intrigante neologismo.

                        Muito prazer! Eu sou BABU.

                        Assim ela me quis e me nomeou.

                        Se o Lula pôde, também posso, e ando pensando em retificar meu registro de nascimento: Antonio Carlos Babu Augusto Gama.

                        Que tal?

 

 

 

A mão, o pintor e o poeta

 

 

 

 

                        O curioso e ilustrado jornalista Roberto Rockmann, com seu faro refinado não apenas para vinhos e comidas — este ano chegou a  desencavar, com artes investigativas dignas de Hercule Poirot, em textos ingleses pouco conhecidos de Salinger, que ele tanto adora, como teria morrido Holden Caulfield, o inesquecível protagonista de The catcher in the rye —, no seu comentário ao post sobre os painéis Guerra e Paz de Portinari quis saber mais sobre o poema que Drummond escreveu sobre a mão do grande pintor, dito com a costumeira classe por Fernanda Montenegro na solenidade realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a que tive a felicidade e o privilégio de assistir.

                        Antes de lhe satisfazer a curiosidade, ou para aguçá-la ainda mais, conto que quando estive na casa do João Cândido Portinari ele me levou a um recanto onde mantém recordações do pai. Logo me chamaram a atenção vários vasos, com uma grande quantidade de pincéis, de variados tamanhos e tipos, usados mas em perfeito estado de conservação, e ao lado uma escultura em gesso de uma delicada mão.

                       

 Eram os pincéis do mestre, nos mesmos vasos em que ele os guardava, e o molde de sua mão direita, tirado quando ele faleceu.

 Fiquei pasmado, olhando os pincéis, a mão, rascunhos, estudos, modelos em madeira, e muitas outras coisas mais.

 

 

                        A mão consta do livro Lição de Coisas, lançado em 1962, exatamente no ano em que morreu Portinari, mas Drummond publicou antes o poema apenas três dias depois da morte de Portinari e talvez — quem sabe? — pode tê-lo escrito sob o impacto de ver uma das cópias do molde da mão do pintor morto.

 

 

A MÃO

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

Entre o cafezal e o sonho

o garoto pinta uma estrela dourada

na parede da capela,

e nada mais resiste à mão pintora.

A mão cresce e pinta

o que não é para ser pintado mas sofrido.

A mão está sempre compondo

módul-murmurando

que escapou à fadiga da Criação

e revê ensaios de formas

e corrige o oblíquo pelo aéreo

e semeia margaridinhas de bem-querer no baú dos vencidos.

A mão cresce mais e faz

do mundo-como-se-repete o mundo que telequeremos

A mão sabe a cor da cor

e com ela veste o nu e o instável.

Tudo tem explicação porque tudo tem (nova) cor.

Tudo existe porque foi pintado à feição de laranja mágica

não para aplacar a sede dos companheiros,

principalmente para aguçá-la

até o limite do sentimento da Terra domicílio do homem.

 

Entre o sonho e o cafezal

entre guerra e paz

entre mártires, ofendidos,

músicos, jangadas, pandorgas,

entre os roceiros mecanizados de Israel

a memória de Giotto e o aroma primeiro do Brasil

entre o amor e o ofício

eis que a mão decide:

Todos os meninos, ainda os mais desgraçados,

sejam vertiginosamente felizes

como feliz é o retrato

múltiplo verde-róseo em duas gerações

da criança que balança como flor no cosmo

e torna humilde, serviçal e doméstica a mão excedente

em seu poder de encantação.

 

Agora há uma verdade sem angústia

mesmo no estar-angustiado.

O que era dor é flor, conhecimento

plástico do mundo.

E por assim haver disposto o essencial,

deixando o resto aos doutores de Bizâncio,

bruscamente se cala

e voa para nunca-mais

a mão infinita

a mão-de-olhos-azuis de Cândido Portinari.

 

                        No vídeo abaixo (a qualidade é precária), o poema dito pelo próprio Drummond e algumas imagens de Portinari pintando.

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zSyUi43l6To]

 

 

 

 

Guerrra e Paz

 

 

 

 

                        A Guerra é vermelha, como a fúria e o sangue que encerra.

                        A Paz é azul, como o céu límpido e a quietude que traz.

                        Não para Portinari.

                        Para ele a Guerra é azul, azuis profundos, sombrios, arroxeados, de dor e desespero.

                        A Paz é avermelhada, laranjas, amarelos, alguns azuis claros, como a vida ensolarada e radiante.

                        Foi assim que ele as concebeu nos seus painéis monumentais que pintou entre 1952 e 1956, para que o governo brasileiro doasse à sede da ONU em Nova Yorq, em cujo hall de entrada da Assembleia Geral se encontram desde então.

                        Não há no painel da Guerra uma única cena explícita de violência ou de batalha. Apenas expressões do sofrimento humano que a Guerra dissemina, enquanto um cavaleiro apocalíptico atravessa sinistramente o quadro.

                        A Paz está nas brincadeiras e na alegria das crianças, nos balanços, nos braços das mães, cantando, plantando bananeira. No trabalho sereno dos adultos, semeando a terra e colhendo os frutos. Outro cavalo, agora branco, vem na nossa direção, cavalgado em pelo por um homem jovem com um menino na garupa. Talvez a Paz seja a Brodowski do menino Candinho.

                        Foi o que vi ontem à noite, em completo êxtase, na apresentação dos painéis no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, graças ao convite muito especial que recebi de João Cândido Portinari, que depois de muitos anos de luta com o seu “Projeto Portinari” conseguiu finalmente, aproveitando-se da reforma do edifício sede da ONU e com o decidido apoio do atual governo, a guarda provisória dos painéis até 2013, para o seu restauro e exibição ao povo brasileiro, como desejava seu pai.

                        Os painéis só haviam sido exibidos no Brasil uma única vez no mesmo Theatro Municipal do Rio, por iniciativa do presidente Juscelino Kubitschek, em fevereiro de 1956, antes de seguirem para Nova Yorq.

                        Além da maravilha de poder contemplar os painéis de perto, assisti a apresentações maravilhosas de Milton Nascimento, acompanhado de vários músicos e cantores, e especialmente de Ana Botafogo e seu par, Alex Neorat, numa coreografia emocionante, encenando figuras dos painéis, culminando com a morte de Portinari, que já estava proibido de pintar e gravemente intoxicado pelas tintas quando recebeu o convite para fazer a obra. Disse aos médicos e à família que não poderia recusar, tampouco deixar de pintar, que era a razão da sua vida.

                        A sempre exata Fernanda Montenegro também se apresentou brevemente, ou melhor, fez a apresentação dos painéis e declamou com muita propriedade e categoria os versos de Drummond sobre a mão de Portinari.

                        Quando recebi o convite especial para a solenidade, a primeira reação foi a impossibilidade de vir ao Rio, numa terça-feira e nesta época atribulada de fim de ano.

                        Logo em seguida, porém, me acorreram as sábias palavras do Dabori quando a Bell me oferecia a chance de ir ao show de Paul McCartney e eu hesitava: “Tem oportunidade que não dá para perder…”. Como sou um paciente disciplinado (pelos menos dos médicos em que confio), tratei de seguir a orientação terapêutica.

                        E aqui estou eu, já me preparando para voltar a Ribeirão, depois de mais uma das benditas loucuras que tenho feito ultimamente.

                        Não me arrependo de nenhuma delas.

 

 

 

 

 

 

 

 

A prosa cada vez mais afiada

 

 

                        No final da semanada passada, estive em São Paulo a trabalho e na sexta-feira à noite (que ninguém é de ferro) aproveitei a oportunidade para assistir a mais uma apresentação da Prosa Afiada, que continua sua carreira de sucesso.

                        Desta vez foi promovida pelo Sesc Belenzinho, que passou por uma grande reforma e acaba de ser reinaugurado. As novas instalações ficaram maravilhosas, dignas de um clube ou de um resort de luxo.

                        Mesmo assim, o local designado para a apresentação da Prosa Afiada não me pareceu o mais adequado, um enorme salão, ao lado da biblioteca, por onde transitavam muitas pessoas, entre as quais várias crianças, correndo de lá para cá.

                        Temi pelo que aconteceria, mas em poucos minutos a Karina dominava a cena, com sua grande perfomance e o charme de sempre. Foi juntando gente, em pé, sentada em pufes, cadeiras, bancos e até no chão. Pais e mães se interessando, contendo os filhos para que também pudessem assistir, senhorinhas dando gritinhos de satisfação com as passagens mais picantes.

                        Foi claro ainda o encantamento do público com as ótimas canções que intercalam e ponteiam os textos, agora a cargo dos ótimos André Perin e Márcio Bá.

                        A Bell me enviou essas fotos, em que me deleito — literalmente — durante a apresentação e me junto de bico com toda a turma na confraternização após o espetáculo (disse a Bell que pareço o “capitão” do time, doido para levantar a taça). As outras duas mostram um instantâneo da apresentação e uma visão parcial do público.

 

 

 

 

 

 

 

                        A CPI da Pedofilia não passou de uma pílula, e de placebo.

 

Babu

 

 

                        O que será “Babu”?

                        Pronuncia-se “Babú”, com a sílaba tônica no “bu”.

                        Até há pouco, eu nunca tinha ouvido falar.

                        Aguardem! Creio que muito em breve poderei revelar-lhes (estou apenas checando com algumas fontes confiáveis).

 

 

 

 

                        Nas Pílulas, a esperança se esfumou…

 

 

                        Nas Pílulas, algumas pistas para decifrar o enigma Dilma.

 

Pretexto e paratexto

 

  

                        Depois de um breve, porém íntimo diálogo, ele a olhou com firmeza e disse com uma voz de encoberta doçura, a que ela não podia resistir:

                        — Tire a roupa.

                        Ao vê-la despida, tentando acalmá-la, falou:

                        — Agora deite-se e relaxe…

                        Pouco mais tarde, já entregue e toda  lambuzada, atendia prazerosamente a outro mando:

                        — Fique de bruços agora!

                        — Está doendo? A cabeça incomoda?, perguntou-lhe em seguida.

                        Diante do silêncio submisso dela, pediu-lhe:

·                      — Abra um pouco mais…

                        E ela continuou a ouvir aquelas frases, que sempre lhe repetiam:

                        — Quando estiver tudo dentro você vai gostar!

                        — Quer um lubrificante?

                        —Vamos fazer uma coisa diferente!

                        — Gostoso, não é? Quer experimentar outra?

                        — Vem… Vem… Assim… Assim…

                        Ufa!

                        Como é atribulada a vida da mulher que num só dia vai ao ginecologista logo pela manhã, depois à massagista e ao dentista, come uma saladinha enquanto troca ideias com a decoradora sobre os móveis para o novo apartamento, pára no posto para abastecer o automóvel, passa pelo cabeleireiro só para dar uma ajeitada, mas ele quer sempre mudar o corte, e antes de voltar para casa ainda faz umas comprinhas na quitanda, em frente da qual tem de suportar o chato do flanelinha, pretendendo ajudá-la a sair da vaga…