Depois de um breve, porém íntimo diálogo, ele a olhou com firmeza e disse com uma voz de encoberta doçura, a que ela não podia resistir:
— Tire a roupa.
Ao vê-la despida, tentando acalmá-la, falou:
— Agora deite-se e relaxe…
Pouco mais tarde, já entregue e toda lambuzada, atendia prazerosamente a outro mando:
— Fique de bruços agora!
— Está doendo? A cabeça incomoda?, perguntou-lhe em seguida.
Diante do silêncio submisso dela, pediu-lhe:
· — Abra um pouco mais…
E ela continuou a ouvir aquelas frases, que sempre lhe repetiam:
— Quando estiver tudo dentro você vai gostar!
— Quer um lubrificante?
—Vamos fazer uma coisa diferente!
— Gostoso, não é? Quer experimentar outra?
— Vem… Vem… Assim… Assim…
Ufa!
Como é atribulada a vida da mulher que num só dia vai ao ginecologista logo pela manhã, depois à massagista e ao dentista, come uma saladinha enquanto troca ideias com a decoradora sobre os móveis para o novo apartamento, pára no posto para abastecer o automóvel, passa pelo cabeleireiro só para dar uma ajeitada, mas ele quer sempre mudar o corte, e antes de voltar para casa ainda faz umas comprinhas na quitanda, em frente da qual tem de suportar o chato do flanelinha, pretendendo ajudá-la a sair da vaga…