Posts from dezembro, 2010

BABU, a revelação

 

 

 

 

                        Na guerra e no amor vale tudo!

                        Por isso não hesitei nas minhas estratégias sorrateiras de convencimento e cooptação.

                        Quando ela começou a articular os primeiros sons, toda vez em que ficávamos sozinhos tentava ensiná-la a primeira e mais gloriosa das palavras: VOVÔ! VO─VÔ, VO─VÔ, VO─VÔ, repetia sem parar, caprichando na fonação.

                        Mas ela só me olhava e sorria, como se fosse apenas mais uma brincadeira desse sujeito dado a palhaçadas que não é a mamãe, não é o papai, mas não sai de perto de mim… E eu até agosto dele…

                        Admito que era uma tática traiçoeira em relação aos genitores, mas às favas os escrúpulos da consciência, como disse Jarbas Passarinho ao subscrever o AI-5. Invoco meus direitos de precedência, antiguidade é posto!

                        Prossegui, pois, na tramoia e passei a contar com a consultoria valiosa de um comparsa, o ótimo amigo e pediatra Dabori, que me instruiu que a pronúncia do “V” é difícil para os bebês e que deveria ensiná-la a dizer “BOBÔ”. Gostei da ideia: “BOBÔ”, misto de ‘”VOVÔ” e “BÔBO”, que é o que realmente sou.

                        Persisti: BOBÔ, BO─BÔ, BO─BÔ, BO─BÔ…

                        Já alertava Einstein que a natureza não dá saltos. Fracassei rotundamente. Primeiro ela falou NENÊ, logo em seguida MÃMÃ, que em alguns momentos chega a refinar para MAMY e até para um perfeito MAMÃE. Quase ao mesmo tempo repicou: PA─PA─PA─PA, a desdobrar o seu amor pelos que por ela se desdobram.

                        Perdida a batalha, não me entreguei. Parti para a guerrilha, me contentando em vencer a avó: BOBÔ, BO─BÔ, BO─BÔ, BO─BÔ…

                        Ela ria e devolvia: NENÊ, MÃMÃ, PA─PA─PA─PA, a me colocar no devido lugar.

                        Um belo dia, com minhas tropas aos frangalhos, quase batendo em retirada, vou até o quarto onde ela se encontra com a mãe e assim que me vê se põe a engatinhar em minha direção repetindo: BABU, BABU, BABU (com a tônica no “u”), e me jogou os braços para lavá-la ao colo.

                        Carolina e eu nos entreolhamos algo desconfiados. Seria possível?

                        Preferi não me precipitar e aguardar a confirmação, que foi sendo feita aos poucos.

                        Já não há dúvida agora.

                        Após a libertação de Julian Assange, fontes do WikiLeaks divulgaram um telegrama do embaixador norte-americano ao Pentágono e ao Presidente Obama esclarecendo o significado do intrigante neologismo.

                        Muito prazer! Eu sou BABU.

                        Assim ela me quis e me nomeou.

                        Se o Lula pôde, também posso, e ando pensando em retificar meu registro de nascimento: Antonio Carlos Babu Augusto Gama.

                        Que tal?