BABU, a revelação

 

 

 

 

                        Na guerra e no amor vale tudo!

                        Por isso não hesitei nas minhas estratégias sorrateiras de convencimento e cooptação.

                        Quando ela começou a articular os primeiros sons, toda vez em que ficávamos sozinhos tentava ensiná-la a primeira e mais gloriosa das palavras: VOVÔ! VO─VÔ, VO─VÔ, VO─VÔ, repetia sem parar, caprichando na fonação.

                        Mas ela só me olhava e sorria, como se fosse apenas mais uma brincadeira desse sujeito dado a palhaçadas que não é a mamãe, não é o papai, mas não sai de perto de mim… E eu até agosto dele…

                        Admito que era uma tática traiçoeira em relação aos genitores, mas às favas os escrúpulos da consciência, como disse Jarbas Passarinho ao subscrever o AI-5. Invoco meus direitos de precedência, antiguidade é posto!

                        Prossegui, pois, na tramoia e passei a contar com a consultoria valiosa de um comparsa, o ótimo amigo e pediatra Dabori, que me instruiu que a pronúncia do “V” é difícil para os bebês e que deveria ensiná-la a dizer “BOBÔ”. Gostei da ideia: “BOBÔ”, misto de ‘”VOVÔ” e “BÔBO”, que é o que realmente sou.

                        Persisti: BOBÔ, BO─BÔ, BO─BÔ, BO─BÔ…

                        Já alertava Einstein que a natureza não dá saltos. Fracassei rotundamente. Primeiro ela falou NENÊ, logo em seguida MÃMÃ, que em alguns momentos chega a refinar para MAMY e até para um perfeito MAMÃE. Quase ao mesmo tempo repicou: PA─PA─PA─PA, a desdobrar o seu amor pelos que por ela se desdobram.

                        Perdida a batalha, não me entreguei. Parti para a guerrilha, me contentando em vencer a avó: BOBÔ, BO─BÔ, BO─BÔ, BO─BÔ…

                        Ela ria e devolvia: NENÊ, MÃMÃ, PA─PA─PA─PA, a me colocar no devido lugar.

                        Um belo dia, com minhas tropas aos frangalhos, quase batendo em retirada, vou até o quarto onde ela se encontra com a mãe e assim que me vê se põe a engatinhar em minha direção repetindo: BABU, BABU, BABU (com a tônica no “u”), e me jogou os braços para lavá-la ao colo.

                        Carolina e eu nos entreolhamos algo desconfiados. Seria possível?

                        Preferi não me precipitar e aguardar a confirmação, que foi sendo feita aos poucos.

                        Já não há dúvida agora.

                        Após a libertação de Julian Assange, fontes do WikiLeaks divulgaram um telegrama do embaixador norte-americano ao Pentágono e ao Presidente Obama esclarecendo o significado do intrigante neologismo.

                        Muito prazer! Eu sou BABU.

                        Assim ela me quis e me nomeou.

                        Se o Lula pôde, também posso, e ando pensando em retificar meu registro de nascimento: Antonio Carlos Babu Augusto Gama.

                        Que tal?

 

 

 

7 comentários

  1. Rafael
    27/12/10 at 11:52

    Ei professor… já levando a netinha para âmbito do conhecimento! Parabéns, “Babú”. rs
    Abraço.

  2. Lilian
    27/12/10 at 14:16

    Saminina andou assistindo Jeannie é um gênio…
    “Antiguidade é posto”? Mesmo? – Gostei! Nem que seja um “posto avançado”…

  3. marcel
    27/12/10 at 14:59

    muito bom… o mais legal é que babu rima com manu!

  4. sonia k.
    27/12/10 at 17:00

    Não posso resistir…. realmente o BOBÔ ficou bobo, não?
    Mas vale muito a pena tudo isto, querido. E v. escrevendo e se descrevendo em sua inglória luta de ensino, foi genial.
    Feliz Manuela que tem um um BABU como esse aí.
    Mas fique calmo que tem muito mais coisa boa vindo aí, agora que ela começou a falar suas primeiras palavras. E a gente nunca se esquece dessas pequenas coisas que fazem a felicidade nossa de cada dia.

  5. Carol
    28/12/10 at 22:24

    Parabéns querido babu..já nem me importo eu de perder o papi para o babu…

  6. CIDA FAGGIONI
    12/05/11 at 17:11

    AO QUERIDO PROFESSOR “BABU”
    “DE UM PASSEIO NO JARDIM AO LADO DELA, AGENTE LEMBRA QUE NO INTANTE EM QUE RIMOS “DEUS” ESTA DANÇANDO CONOSCO DE ROSTINHO COLADO.
    E A GENTE RI GRANDE QUE NEM MENINO ARTEIRO.
    COSTUMO DIZER QUE ALGUMAS ALMAS SAO PERFUMADAS.
    PORQUE ACREDITO QUE OS SENTIMENTOS TAMBEM TEM CHEIROS…MINHA AVO TAMBEM ERA ASSIM.
    ELA PERFUMOU MUITAS VIDAS COM SUA LUZ E SUAS CORES.”

  7. Fantástico!
     
    De agora em diante será Babu.

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