“Bom-dia”, me diz a brasileira e sua brejeira morenice (mesmo se loira) resplandece num sorriso alvissareiro, inteiro olhos e dentes.
“Buenos dias”, fala a espanhola ardente (ou a argentina fatal) e a vida cantarola ao atrito rouco da castanhola (ou no grito aflito do bandoneón).
“Buon giorno”, agita a calorosa italiana e sua boca e seu busto definem no homem o menino, que sonham juntos com Fellini o Amarcord.
“Bonjour”, sussurra a francesinha com seu biquinho de Brigitte e não há quem não se agite e o coração palpite à espera que a tarde venha e traga a Belle de Jour.
“Good morning”, deseja a Barbie americana, muito peito pouca bunda, muita grana que engana, pra comprar a quem reclama.
“Guten morgen”, saúda a alemã classuda, acompanhada de um ariano puro, dois metros de costado e aprumo.
Eu, que tenho intolerância ao glúten, e não tenho vontade alguma de ser mandado para uma morgue, disfarço e saio de fininho…
Costumo achar um absurdo esses cafés da manhã dos hotéis. Chega a me fazer mal aquela profusão toda de sabores e cheiros, em quantidade suficiente para agradar qualquer (e até o mais exótico) paladar.
Não tenho intolerância a glúten, felizmente; contento-me apenas com um bolo simples de fubá ou algum outro que me traga à lembrança os bons tempos em que os bolos não eram tão confeitados, tão cheios de ingredientes dispensáveis (exceção ao Merengue de Morango, que nem bolo é… mas divino mesmo assim).
E “bom dia” pra todo mundo, qualquer que seja o idioma.