Bobo quem?

 

 

                        Gosto de Maria Bethânia como artista.

                        Muitos não gostam.

                        Mas eu gosto.

                        Talvez porque seja bobo.

                        Ela de vez em quando desafina, semitona, mas acho que é uma grande intérprete de canções e poemas. Ela emociona, arrebata, principalmente se a assistimos ao vivo, e uma lua, um conhaque, botam a gente comovido como o diabo.

                        Mas acho que isso só acontece com os bobos, como eu.

                        Maria Bethânia acaba de conseguir autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1.300.000,00 com a finalidade de criar um blog intitulado “O Mundo Precisa de Poesia”, no qual ela postará diariamente um vídeo interpretando grandes obras, sob a direção do cineasta Andrucha Waddington, ex-marido da Fernandinha Torres.

                        Há pouco tempo, o ex-ministro Juca Ferreira, que foi chefe de gabinete do também ex-ministro Gilberto Gil (amigão da Bethânia e do Caetano) e o substituiu na pasta, autorizou Bethânia a arrecadar outros R$ 1.500.000,00 para uma turnê, apesar do parecer contrário da área técnica do Ministério da Cultura.

                        Mesmo assim ainda gosto da Bethânia como intérprete.

                        Mas eu sou bobo.

                        Tanto assim que ofereço de graça neste blog, sem patrocínio algum, o vídeo do grande Paulo José interpretando um trecho do poema da fulgurante Clarice Lispector, Das vantagens de ser bobo.

                        É que eu adoro ser bobo.

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=6_vHQfy6lSU]

 

 

Um comentário

  1. sonia k.
    19/03/11 at 11:44

    Eu havia lido no jornal sobre a concessão de verba para um programa que até pode ser cultural, mas acho totalmente dispensável. Tem muita coisa boa e que carece de verba para se realizar e acaba por não acontecer. Paulo José é uma montanha de força e tenho a maior admiração por ele que consegue se manter ativo apesar de todas as dificuldades que seu problema de saúde confere. O texto da Clarice, como sempre, é marcante e faz pensar fundo. E eu sei bem, até por proximidade constante, como é o que chamam “bobo”, pois são criaturas que não têm mesmo maldade nem malícia, mas conseguem ter amor profundo
    e, por inúmeras vezes, mais dignidade e fidelidade que os “espertos”.

    As vezes a gente acaba por pensar que num país de tantos “espertos”, como seria bom se existissem mais “bobos”.

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