Adalberto de Oliveira Souza
Archote dúbio,
luz de vários gumes,
ferindo aqui e acolá,
nesta arena escarlate,
nesta festa borbulhante
de sangue.
Eis que reaparece
o espetáculo da vida,
jacarés,
aves de mil plumagens,
fadas e duendes,
fauna e flora,
profusão,
exuberância
e uma música
impregnando
e movimentando
o cenário.
Eis que desaparece
tudo num sumidouro
ficando atrás
somente a sinfonia
constante,
perseverante
que capturou a vida
encarcerada
nela mesma.
(do livro “Captura”, São Paulo, 1989, João Scortecci Editora)