Adalberto de Oliveira Souza
(o vazio invade a mancha)
A mancha invade o vazio,
corrobora o quadro,
corrói o ambiente
silencioso,
denso,
compacto do quarto.
– O verão corrompe a neve.
Os reflexos sombrios vão(s),
não se eternizam,
decompõem-se por um desvio.
A sordidez marásmica
do recinto se deteriora.
Os pontos externos
ressentem-se desse ponto uno
(a mancha)
que os absorve.
Outro enorme vazio
vale o instante.
(le vide envahit la tache)
La tache envahit le vide,
corrobore le tableau,
corrode l’ambiance
silencieuse,
dense,
compacte de la chambre
– l’été corrompt la neige.
Les reflets blafards s’en vont,
ils ne s’éternisent pas,
ils se décomposent
par une déviation.
La sordicité de l’enclos,
tombée dans le marasme,
se détériore.
Les points externes
se ressentent de ce point unique
(la tache)
qui les engloutit.
Un autre vide immense
vaut l’instant.
Vale o instante, e esta tela e este poema me deixam com sentimentos diferentes.
Enorme enorme poema, Adalberto!!!
Absorve-nos dos vazios.
Parabéns!
Como me livrar do vazio:
Pintando um quadro em tela
Aproveitando o instante da vida
Ou invadindo a mancha que está presente?
Não sei.
Só o silêncio, escuro e denso
Me faz ter a certeza
De que serei bem-sucedido.
Que força têm os versos de Adalberto… Não se sai deles como entramos…
“O que mais dói não
é o retrato na parede,
mas o prego ali
cravado, persistente,
no centro da mancha
do quadro ausente.”