Receita de Mulher

 

         Selma Barcellos

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 Que fantásticas as escolhas de mestre Millôr…

 

 

 

“Vinicius que me perdoe plagiá-lo.
Mas beleza é fundamental.”

  

 

O seu semblante, redondo
Sobrancelhas arqueadas
Negros e finos cabelos
Carnes de neve formadas. 
Thomaz Antonio Gonzaga

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos.
Gonçalves Dias

Verde carne, tranças verdes.
Garcia Lorca

Lábios rubros de encanto
Somente para o beijo.
Junqueira Freire

A sua língua, pétala de chama.
Cândido Guerreiro

Nos lobos das orelhas
Pingentes de prata.
Gonçalves Crespo

Mão branca, mão macia, suave e cetinosa
Com unhas cor de aurora e luz do meio dia
Nas hastes cor de rosa.
Luiz Delfino

Os braços frouxos, palpitante o seio.
Casimiro de Abreu

A dorso aveludado, elétrico, felino
Porejando um vapor aromático e fino.
Castro Alves

Seu corpo tenha a embriaguês dos vícios.
Cruz e Souza

Com mil fragrâncias sutis
Fervendo em suas veias
Derramando no ar uma preguiça morna.
Teófilo Dias

Os olhos sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto
A da terra.
Vinicius de Morais

As curvas juvenis
Frescas ondulações da forma florescente
Imprimindo nas roupas um contorno eloquente.
Álvares de Azevedo

Qualquer coisa que venha de ânsias ainda incertas
Como uma ave que acorda e, inda mal acordada,
Move, numa tonteira, as asas entreabertas.
Amadeu Amaral

De longe, como Mondrians
Em reproduções de revistas
Ela só mostre a indiferente
Perfeição da geometria.
João Cabral de Melo Neto

Que no verão seja assaltada
por uma remota vontade de miar.
Rubem Braga

A graça da raça espanhola
A chispa do touro Miúra
Tudo que um homem namora
Tudo que um homem procura.
Paulo Gomide

Nádegas é importantíssimo
Gravíssimo porém é o problema das saboneteiras
Uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Vinicius de Morais

E todo o conjunto deve exprimir a inquietação e espera.
Espera, eu disse?
Então vou indo, que, senão, me atraso!
Millôr Fernandes

 

(Millôr Fernandes)

 
 
 
 

 

Um comentário

  1. André
    19/03/14 at 21:22

    Selma, a mulher foi tão bem descrita em todas as poesias citadas acima, que vou destacar outra obra-prima do Poetinha, Monólogo de Orfeu:
    “Mulher mais adorada, agora que não estás,
    deixa que te rompa o meu peito em soluços.
    (…)”
     
    Beijoca!

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