Selma Barcellos
Que fantásticas as escolhas de mestre Millôr…
“Vinicius que me perdoe plagiá-lo.
Mas beleza é fundamental.”
O seu semblante, redondo Simpáticas feições, cintura breve, Verde carne, tranças verdes. Lábios rubros de encanto A sua língua, pétala de chama. Nos lobos das orelhas |
Mão branca, mão macia, suave e cetinosa
Com unhas cor de aurora e luz do meio dia
Nas hastes cor de rosa.
Luiz Delfino
Os braços frouxos, palpitante o seio.
Casimiro de Abreu
A dorso aveludado, elétrico, felino
Porejando um vapor aromático e fino.
Castro Alves
Seu corpo tenha a embriaguês dos vícios.
Cruz e Souza
Com mil fragrâncias sutis
Fervendo em suas veias
Derramando no ar uma preguiça morna.
Teófilo Dias
Os olhos sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto
A da terra.
Vinicius de Morais
As curvas juvenis
Frescas ondulações da forma florescente
Imprimindo nas roupas um contorno eloquente.
Álvares de Azevedo
Qualquer coisa que venha de ânsias ainda incertas
Como uma ave que acorda e, inda mal acordada,
Move, numa tonteira, as asas entreabertas.
Amadeu Amaral
De longe, como Mondrians
Em reproduções de revistas
Ela só mostre a indiferente
Perfeição da geometria.
João Cabral de Melo Neto
Que no verão seja assaltada
por uma remota vontade de miar.
Rubem Braga
A graça da raça espanhola
A chispa do touro Miúra
Tudo que um homem namora
Tudo que um homem procura.
Paulo Gomide
Nádegas é importantíssimo
Gravíssimo porém é o problema das saboneteiras
Uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Vinicius de Morais
E todo o conjunto deve exprimir a inquietação e espera.
Espera, eu disse?
Então vou indo, que, senão, me atraso!
Millôr Fernandes
(Millôr Fernandes)
Selma, a mulher foi tão bem descrita em todas as poesias citadas acima, que vou destacar outra obra-prima do Poetinha, Monólogo de Orfeu:
“Mulher mais adorada, agora que não estás,
deixa que te rompa o meu peito em soluços.
(…)”
Beijoca!