Depois de um breve, porém íntimo diálogo, ele a olhou com firmeza e disse com uma voz de encoberta doçura, a que ela não podia resistir:
— Tire a roupa.
Ao vê-la despida, tentando acalmá-la, falou:
— Agora deite-se e relaxe…
Pouco mais tarde, já entregue e toda lambuzada, atendia prazerosamente a outro mando:
— Fique de bruços agora!
— Está doendo? A cabeça incomoda?, perguntou-lhe em seguida.
Diante do silêncio submisso dela, pediu-lhe:
· — Abra um pouco mais…
E ela continuou a ouvir aquelas frases, que sempre lhe repetiam:
— Quando estiver tudo dentro você vai gostar!
— Quer um lubrificante?
—Vamos fazer uma coisa diferente!
— Gostoso, não é? Quer experimentar outra?
— Vem… Vem… Assim… Assim…
Ufa!
Como é atribulada a vida da mulher que num só dia vai ao ginecologista logo pela manhã, depois à massagista e ao dentista, come uma saladinha enquanto troca ideias com a decoradora sobre os móveis para o novo apartamento, pára no posto para abastecer o automóvel, passa pelo cabeleireiro só para dar uma ajeitada, mas ele quer sempre mudar o corte, e antes de voltar para casa ainda faz umas comprinhas na quitanda, em frente da qual tem de suportar o chato do flanelinha, pretendendo ajudá-la a sair da vaga…
Muito bom! Complicadas somos todos nós. A gente ouve essas coisas o dia inteiro, depois quando os homens dizem uma coisa quando na verdade querem dizer outra, querem que a gente entenda! Ti doro. Chega logo! bjo
Realmente, algumas mulheres têm uma rotina de matar… Agora, por exemplo, os meus pés estão doendo de tanto andar no shopping. Fico pensando se todas aquelas pessoas que por lá estavam sentem a mesma dor ou algum outro tipo de incômodo. Havia fila para comer, uma dificuldade incrível para encontrar mesa, fila para o banheiro, no caixa da loja, tudo! E ainda é 8 de dezembro…
Mas tem algumas mulheres que têm uma vidinha boa: de manhã, com a roupa de ginástica, vão levar o filho à escola; à tarde, com a roupa de ginástica, vão buscar o filho na escola. Mas essas também têm que enfrentar filas… de carros! Ou seja, ninguém está imune às torturas dos dias de hoje.
(O flanelinha querendo me ajudar, tudo bem; está “trabalhando”. Difícil é quando alguém da família faz isso e você nem pode reclamar…)