Quando por ele passo
o pequeno cacto amarelo
parece dizer-me do seu vaso:
— Me deixem ficar aqui no meu canto.
Dispenso carinhos. Bastam-me meus espinhos.
Olho-o comovido e pesaroso
e sigo meu caminho pedregoso.
Quando por ele passo
o pequeno cacto amarelo
parece dizer-me do seu vaso:
— Me deixem ficar aqui no meu canto.
Dispenso carinhos. Bastam-me meus espinhos.
Olho-o comovido e pesaroso
e sigo meu caminho pedregoso.
Nossa, que lindo!
Retribuo com um dos meus (muitos) poemas preferidos:
“Perdemos outra vez este crepúsculo.
Ninguém nos viu esta tarde de mãos dadas
enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
Vi da minha janela a festa do poente nos morros distantes.
Às vezes como uma moeda
se acendia um pedaço de sol entre minhas mãos.
Eu te recordava com a alma encolhida
por essa tristeza que tu me conheces.
Então, onde estavas?
Entre qual gente?
Dizendo que palavras?
Por que é que o amor me vem assim de golpe
quando me sinto triste, e te sinto distante?
Caiu o livro que sempre se toma no crepúsculo,
e como um cão ferido tombou a meus pés minha capa.
Sempre, sempre te afastas pelas tardes
para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.”
(Pablo Neruda)
PS: Relendo, achei o poema do senhor mais bonito; disse mais coisas com menos palavras (“menos é mais”!). Mas adoro as “construções” de Neruda, as muitas imagens que ele usa têm um efeito maravilhoso, evocando sensações, lembranças do que nunca existiu, nos levando para o mundo dele, muito bonito.