Poeminha tirado de uma prosa de Carlos Drummond de Andrade

 

 

 

                                    Quando por ele passo

                                    o pequeno cacto amarelo

                                    parece dizer-me do seu vaso:

                                    — Me deixem ficar aqui no meu canto.

                                    Dispenso carinhos. Bastam-me meus espinhos.

 

                                    Olho-o comovido e pesaroso

                                    e sigo meu caminho pedregoso.

 

 

 

Um comentário

  1. Lilian
    15/07/10 at 9:07

    Nossa, que lindo!
    Retribuo com um dos meus (muitos) poemas preferidos:
    “Perdemos outra vez este crepúsculo.
    Ninguém nos viu esta tarde de mãos dadas
    enquanto a noite azul caía sobre o mundo.
    Vi da minha janela a festa do poente nos morros distantes.
    Às vezes como uma moeda
    se acendia um pedaço de sol entre minhas mãos.
    Eu te recordava com a alma encolhida
    por essa tristeza que tu me conheces.
    Então, onde estavas?
    Entre qual gente?
    Dizendo que palavras?
    Por que é que o amor me vem assim de golpe
    quando me sinto triste, e te sinto distante?
    Caiu o livro que sempre se toma no crepúsculo,
    e como um cão ferido tombou a meus pés minha capa.
    Sempre, sempre te afastas pelas tardes
    para onde o crepúsculo corre apagando estátuas.”

    (Pablo Neruda)
    PS: Relendo, achei o poema do senhor mais bonito; disse mais coisas com menos palavras (“menos é mais”!). Mas adoro as “construções” de Neruda, as muitas imagens que ele usa têm um efeito maravilhoso, evocando sensações, lembranças do que nunca existiu, nos levando para o mundo dele, muito bonito.

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