Os parentes portenhos de meu marido

 

 

 

                        Além dos quase dez anos de namoro e noivado, Antonio Carlos e eu estamos casados há mais de trinta anos.

                        Nos conhecemos adolescentes, crescemos e estamos envelhecendo juntos, com três filhas maravilhosas, cada qual de seu jeito, e agora também a Manuela, que tornou nossa vida mais doce e bela.

                        Sabia que ele tem uma forte ascendência árabe da parte do avô materno, que tanto adora.

                        Os árabes são muito afetuosos e apegados à família, de modo que pelo menos até a décima geração consideram-se parentes próximos ou “brimos”.

                        Mas depois de passar quase uma vida ao lado dele, sequer suspeitava dos seus laços portenhos e de que tem tantos familiares em Buenos Aires, para onde viajamos juntos pela primeira vez.

                        Ele já conhece relativamente bem a cidade e quer me levar a todos os locais típicos e de que mais gosta.

                        Temos de ir a tal lugar. Não por mim, que já conheço, mas por você, diz ele enquanto me me arrasta pelas calles e avenidas de Buenos Aires.

                        Ontem lá pelas tantas, comentei que estava me sentido como uma noiva ou recém-casada com a obrigação de visitar e me apresentar a seus inúmeros parentes argentinos, que eu desconhecia. Demos boas gargalhadas e passamos a brincar a toda hora com a ideia, até que ele me pediu que escrevesse este post para seu blog.

                        E lá vamos nós reencontrar titio Borges no café do primo Tortoni.

                        Depois, visitamos vovó Recoleta, mas antes tínhamos ido passear na prima Florida e demos uma passadinha nas casas dos tios Piazzolla e Ateneo, que nos retiveram e não queriam deixar que fôssemos embora.

                        Quase tudo a pé, pois que Buenos Aires é para ser desfrutada andando, me convenceu ele.

                        Estamos agora com primo Caminito, mas ainda iremos ao vovô Colón que passou por uma plástica e dizem ter ficado tão jovem quanto o Dr. Annibal (sem plástica).

                        Não sei que outras surpresas e visitas familiares me aguardam amanhã. Ele já falou que — como fez o tio Gilberto para a sua Célia quando aqui estiveram — vai me levar à praça do tio-avô San Martín para me ler um poema a ele dedicado pelo titio Borges.

                        Ufa!!!

 

                        Maria Delucena

 

 

9 comentários

  1. Lilian
    21/07/10 at 22:50

    Oi, vovó da Manuela! Como escreve bem e quanta jovialidade e bom humor!
    Maravilhoso contraponto ao seu sisudo marido!
    É isso mesmo, “vamos arrastar o sari no mercado” e desfrutar de todas as belezas que possam existir em qualquer cantinho de Buenos Aires. Passeio bom se faz a pé, observando todos os detalhes, ainda mais aí, que deve ter uma arquitetura belíssima!
    Se encontrar uma “feirinha de turista” (artesanato local), dessas que tem por aqui, compra um brinquinho pra mim? O meu brinco preferido custou apenas R$3,00 em Águas de São Pedro! Gosto tanto que até evito usá-lo. Guardo como jóia de grande valor. Sempre que preciso de um charme extra, recorro a ele… rsrs (xi, sujou! a última vez que me lembro de tê-lo usado foi em 2005!!! Mas é o meu brinco da sorte, o meu brinco do encanto!)
    Escreva mais vezes! Adorei!

    • Antonio Carlos
      22/07/10 at 9:54

      Muito bem, dona Lílian, quer dizer então que a senhora me acha sisudo, logo eu que tanto faço vocês rirem na Câmara!

      Apesar da calúnia, vou lhe levar o “brinquinho”, que a Delucena escolherá. Não sei se os gostos de vocês vão bater, mas não vamos tentar.

      Um beijo para você e a Alexandra (que támbém ri muito comigo…)

      • Lilian
        22/07/10 at 10:29

        Se o senhor não for sisudo, digamos que sabe manter muito bem a distância e cada um nos seus lugares…
        O senhor rege a banda; se quiser rir, a gente ri junto; se fechar o cenho, a gente espera um momento melhor, e assim vai…
        Beijinhos!

  2. sonia k.
    21/07/10 at 22:53

    Macena, que bom te encontrar por aqui! Tenho saudade de vocês.
    V. fala nos 30 anos de casamento e eu tenho de voltar no tempo e me lembrar do casamento de vocês. Muito lindo. Fiquei num hotel tipo fazenda nos arredores de Ribeirão, juntamente com Serginho e Dinha primos muitos amados também. Que bom saber que v. também está passeando e conhecendo os brimos de seu marido tão criativo.
    Aproveitem bastante! Viagens sempre são muito boas pra revigorar a união, confirmando esse amor tão lindo que sempre viveram. Grande beijo aos dois.

    • Antonio Carlos
      22/07/10 at 9:57

      Querida prima

      Delucena me pediu para lhe dizer que adora você e que não esquece o carinho e a atenção que nos deu sempre, em especial num momento muito difícil que você bem sabe. Precisamos cumprir a promessa de ir até Piracicaba para revê-la e os demais. Talvez façamos isso antes de terminarem minhas férias acadêmicas de julho.

      Um beijão.

      • sonia k.
        22/07/10 at 11:37

        Agora resta segurar a ansiedade pra esperar vocês! Beijão aos dois.

  3. 22/07/10 at 11:36

    Uma vez, quando almoçava, num domingo, num pequeno restaurante aqui em SP, com a Tuka, que pregou um susto aqui essa semana, uma senhora que nos via conversando animadamente, se levantou na hora de ir embora e nos disse. “Parabéns!”. Nos entreolhamos e dissemos: “por quê?”. “Nos dias de hoje, a maioria mal fala com o outro. Quando eu vi vcs, eu pensei quando era casada. Hoje sou viúva, fiquei casada 35 anos e, olha, foi pouco.”
    Esse foi o maior elogio que eu recebi e, pelo que vc, vcs também têm a mesma ligação.

  4. carol
    22/07/10 at 21:15

    Sensacional…mas será q a D. Macena está mesmo gostando da Senhora Buenos Aires?? Garanto q gostará ainda mais do Tio Fredo…beijos Carol

  5. 28/07/10 at 11:39

    Mamilly, que coisa mais fofa. Juro que ouvi sua voz zombando dos primos portenos do papi. E olha que já viajei com ele e esse cara tem sebo nas canelas… anda que só ele, mas sabe como ninguém viver intensamente uma viagem. Achei lindo o que escreveu, lindo como você. Ti doro, beijos da filha, Bell

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