[…]
Quero a casa em lugar alto
Ventilado e soalheiro
Quero da minha varanda
Contemplar o mundo inteiro.
Vou fazer o meu retiro
Na grota do chororão
A minha casa será
Uma casa de oração.
Vou me esquecer do pecado
Entrar em meditação
E não saio mais de casa
Só saio de rabecão.
[…]
(Tom Jobim, “Chapadão”, excerto)
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Modestamente, sem o piano soberano,
mas algumas vezes com um charuto,
uma taça de vinho, meus livros,
pedindo um cafezinho,
escrevinhando minhas tolices,
resmungando com o vizinho,
o canto dele na vitrola,
Manuela a ir e vir
derramando seu encanto,
assim também (e cada vez mais)
gosto de estar em casa
bem-composto no meu canto.
Será isso a velhice?
As dentaduras duplas que não tenho?
[…]
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Carlos Drummond de Andrade, “Os ombros suportam o mundo”, excerto)
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