Posts from abril, 2012

No tempo em que o Bianchini desfilava para a Ducal

 

 

 

 

 

            Depois de me perder pelo caminho (como costumo fazer sempre), cheguei ao sítio por volta de meio-dia e meia para o churrasquinho e o samba combinados.

            Pensava que já encontraria por lá todos os convivas, mas não. Estavam apenas o Brenno e um senhor grisalho, barriguinha cervejeira, cara boa, às voltas com a churrasqueira.

            ― Gama, esse é o meu amigo Luís, que mora aqui perto e sempre vem dar uma mãozinha pra gente, apresentou-me Brenno, o anfitrião.

            Muito prazer… Muito prazer… nos dissemos, e ele, todo cordial:

            ― Quer um uisquinho para começar? Enquanto já ia preparando e me servindo a dose generosa. 

            Em seguida, voltou à crucial operação de acendimento da churrasqueira e últimos retoques nas carnes.

            Brenno e eu ficamos ao redor, bebendo e pondo a conversa em dia.

            ― Ô Gama, pena você não ter vindo no dia em que o Virgínio estava por aqui. Cara, o Virgínio continua o mesmo, com aquela mania de discordar de tudo e ditar regras. Agora então que é dono de um bufê lá em Curitiba, ninguém aguenta. Foi muito bom.

            ― Pois é, estava em São Paulo e o meu voo de volta, pra variar, atrasou. Cheguei muito tarde e muito cansado. Não deu para vir.

            Você se lembra do Bianchini, Gama?

            Claro que lembro, trabalhava na Ducal com o Virgínio. Cara legal. Gostava dele. Chegou a fazer parte da nossa turma por uns tempos e a jogar futebol com gente…

            Isso! Ele apareceu por aqui com o Virgínio.

            É mesmo? Nossa, faz um tempão que não vejo. Como ele está? 

            Tá bem, tá bem… Só tem uma coisa muito chata que aconteceu com ele…

            O quê? Indaguei, pensando em algum problema de saúde ou familiar.

            Chato, cara! Muito chato… O Bianchini, depois de velho, virou bicha. Bichona louca!

            Ah, não me diga isso… Não acredito! Você tá me gozando… Ele era boa pinta, pegador… Andou até desfilando e fazendo comercial para a Ducal, lembra?

            É mesmo! Vai ver então que desde aquele tempo ele jogava no outro time, sem que a gente soubesse…

            A conversa se desvia, mas depois de alguns minutos Brenno volta ao assunto:

            E o Bianchini, hem? Bichona, quem diria! Mas você se lembra bem dele, Gama?

            Pera aí, conheço esse jeito inzoneiro, esse olhar dissimulado do meu velho parceiro!

            Olho com mais atenção para o tal amigo Luís, sempre de lado, ouvindo a conversa, mas se fazendo de interessado na churrasqueira e no preparo das carnes. 

            Tanto me lembro que essa bicha aí, fingindo de churrasqueiro, é o Bianchini. (Imagine se eu não gostasse dele e me pusesse a desancá-lo…)

            Gargalhadas, abraços, outra dose para comemorar.

            E pelo resto do dia foi só recordar, com muitas outras doses e alguns sambas para acompanhar.

 

P.S.      O Bianchini não virou bicha. Pelo menos foi o que ele me disse…

 

 

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