Adalberto de Oliveira Souza
O CLARIM
Perscruta nos olhos
o som das cornetas
cruzando as telhas.
As mãos se fecham
para o murro e urro
dos aflitos comovidos
que se agrupam
e copiam o código.
Desatento espirra
um ai estridente,
um ser mudo.
A platéia tanto aplaude
que coagula o sangue
desses mares do sul.
No fundo do mar
fica a ave aquática
ressequidamortalhada
reincidindo no adorno.
Pela senha do dia
O passo estanca.
CLAIRON
Les sons des trompettes
et les regards scrutateurs
perforent les toits.
Les mains se ferment
pour les coups et les cris
des affligés émus
qui s’assemblent
et copient le code.
Distrait, éternue ailleurs
en un cri strident
un être muet.
Le public tant applaudit
que coagule le sang
de ces mers du sud.
Au fond de la mer
gît l’oiseau aquatique,
desséché sous le linceul
renforçant l’ornement.
Par le code du jour
le pas se suspend.
Gama, cada vez que leio algo de Adalberto, fico marcada por um longo período, aquilo ressoando em meus ouvidos. Creio ser essa a marca da grande poesia.
Adalberto provoca essa intensidade. Leitura quase antropofágica.
E necessária.
Maravilhoso ter essa grandeza aqui.
Gama, eu nem sei como agradecer você e o Adalberto pela gentileza de ter me presenteado com um exemplar do livro. Me sinto muito honrado. Já o estou aguardando ansiosamente, pois quero muito tê-lo em mãos para me emocionar com os poemas.
Abraçaço.