ECLESIASTES
“Não há nada de novo sob o sol”
mas tudo é de novo sob o sol
e o sol mesmo que o traz o dia
não é o mesmo sol que se pôs
ao fim do dia que antecedia
sob o sol a poesia se recria
e o poema é novo a cada dia
diverso daquele que se fazia
(ou lia) sob a lua da noite que jazia
Contrariar o Rei Salomão no seu discurso que não havia nada novo sobre a Terra é um verdadeiro ato de bravura! Possuidor de uma sabedoria de origem divina, Salomão encontrava-se enfadado, também se queixando de que muito conhecer aumentava a dor. Talvez ele não tivesse com quem “trocar figurinhas”, daí o seu lamento. Somos mais felizes que ele, porque, além das figurinhas, ainda temos com quem compartilhar versos, canções, imagens, e sem qualquer vaidade – contrariando Salomão mais uma vez -, fazendo isso apenas pelo prazer da companhia, esse estar juntos ainda que distantes. Pobre Salomão! E os versos… ah, os versos! Sempre novos e cheios de vida!
Entusiasmastes
E aliviastes
A secura do sol
A pureza do sol
Veio iluminar a beleza que é a vida.
Bendito o poeta que canta o sol, esse próximo quase sempre esquecido pelos poetas.