Ilustração: Annibal Augusto Gama
S.O.S.
Aquele que escreve
é o náufrago solitário
de uma ilha inventada
a lançar nas águas
mensagens cifradas
em peregrinas garrafas.
Sentado na areia
à sombra da mítica palmeira
vai grafando signos no papel
com a tinta indelével
de insolúveis angústias.
Muito além do tênue traço
que separa o mar e o céu
quem haverá um dia
de recolher na praia
a errante algaravia?
Não existe posta-restante para garrafas errantes? Sejam reclamadas, declamadas e proclamadas suas mensagens, poeta.
Lindo, lindo, lindo…
Gama, a sigla em inglês S. O. S. quer dizer Save Our Souls (salve nossas vidas, em português). O poeta manda textos que estão dentro de garrafas e mensagens que ficarão na posta-restante, assim como na canção de Chico.
Abraçaço.
É o tópico da “bouteille à la mer” muito marcado por Vigny com um poema com esse título. Onde vai parar um obra de arte? Que fim terá? Haverão leitores? Desaparecerá? É um mistério contínuo. Preocupação do romantismo filosófico.