Adalberto de Oliveira Souza
À TARDE
O olhar que não vê
que não atravessa
que não diz.
A parede nua,
a chuva,
a neblina
que envolve
o momento
o não dizer
o já dito talvez.
Nada se diz de todo.
A parede nua.
O vidro, a separação, o limite
que prende, protege e libera
o que existe, o que magoa.
A parede nua.
O olhar que vê
que atravessa.
que diz.
O espelho,
o olhar, o espelho.
O vidro.
O momento.
A névoa deste instante
separa, magoa, retém,
realiza
no chão
que segura
que prende
possivelmente
sofre a luz
que alimenta
e a parede nua.
A rua,
a sua,
a lua,
inexistente,
transparente,
só.
Agora e sempre,
impreterivelmente.
Cai a tarde
Em sua serenidade
O pôr-do-sol ao entardecer
Revela a sua magnitude
Por trás da montanha alta
Que vai ficar enluarada
No alto relevo do mar.
“nada se diz de todo”
Enorme poema, Adalberto, enorme poema.