NATALÍCIO
Súbito é Natal.
Todos os homens se amam
e de mãos dadas
cantam e festejam
um aniversariante
distante.
Na esquina próxima
um outro menino
me estende a mão,
não para o brinde ou o afago
mas para a esmola,
que mais a mim
do que a ele
consola.
Seus olhos desbotados
carregam um cansaço de séculos,
herança obscura de pó,
pedra, sangue e agonia
traspassada a cada novo ano
que já nasce
velho.