[…]
Quero a casa em lugar alto
Ventilado e soalheiro
Quero da minha varanda
Contemplar o mundo inteiro.
Vou fazer o meu retiro
Na grota do chororão
A minha casa será
Uma casa de oração.
Vou me esquecer do pecado
Entrar em meditação
E não saio mais de casa
Só saio de rabecão.
[…]
(Tom Jobim, “Chapadão”, excerto)
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1l8JO0q0fDc&feature=player_embedded]
Modestamente, sem o piano soberano,
mas algumas vezes com um charuto,
uma taça de vinho, meus livros,
pedindo um cafezinho,
escrevinhando minhas tolices,
resmungando com o vizinho,
o canto dele na vitrola,
Manuela a ir e vir
derramando seu encanto,
assim também (e cada vez mais)
gosto de estar em casa
bem-composto no meu canto.
Será isso a velhice?
As dentaduras duplas que não tenho?
[…]
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(Carlos Drummond de Andrade, “Os ombros suportam o mundo”, excerto)
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=JaL_FjH87ck&feature=related]
Grande Maestro Soberano (assim o definiu Chico Buarque) Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim…
Entre dois de seus discos mais bonitos estão Elis e Tom e Edu e Tom, gravados em duetos com Elis Regina e Edu Lobo, respectivamente. Antológicos.
Não se pode falar que ele morreu, um artista deste porte permanece vivo eternamente – apesar de já estar distante (só fisicamente) desde dezembro de 1994.
Abraços
André
Posso brincar também, Tom(s) e Drummond? Entro com “Anima”:
Siga assim:
A cama por fazer, a pintura,
English tea latté
Em mesa de arabescos…
Turbilhão.
Um para sempre feriado,
Independência da alma
Que sorve cada instante
Entre batidas aceleradas
E repouso, calmaria.
Porque vida:
Descompasso, sintonia.
Antonio, não assinei meu poema. Faço-o agora. Achei bastante pedir para “brincar de casinha” com os três poetaços… Hehe.
Beijocas!
Pois é, e eu, mentecapto, que fiquei a buscar quem era o poeta que me captava a sintonia…
Lindeza, Selma!
E você, como a Irene de Bandeira, não precisa pedir licença para entrar.
Ave, poeta!