POEMA DE DESPEDIDA
Mia Couto
Não saberei nunca
dizer adeus.
Afinal,
só os mortos sabem morrer.
Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser.
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo.
Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos.
Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca.
Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei.
Ainda assim,
escrevo.

Dessa geração que está ai. Mia é o da linha de frente. Que poema: rico e bonito. Uma “aula” de como fazer poesia. Por essas e outras parei……só escrevo.
Belo poema!
Lembrei-me do verso atribuído a Schelegel: quando a alma fala, já não fala a alma.
“Já vou embora, mas sei que vou voltar
Amor não chora, se eu volto é pra ficar…”