Por linhas tortas

 

 

 

 

                                   Com quantas linhas se escreve um conto?

                                   Com quantos contos me conto?

                                   Em que ponto dessa tortuosa linha

                                   paralela do infinito me encontro?

 

                                   Só quando saio da linha

                                   e salto fora da pauta

                                   é que sinto o sobressalto da vida

                                   ao compasso de mim mesmo.

 

                                   Passo a passo me repasso

                                   traço a traço me escrevo

                                   até que a linha se apague

                                   e acabe o conto sem ponto final

 

 

 

  

 

 

6 comentários

  1. Érika Gentile
    01/10/12 at 14:51

    Muito bom ! O inacabado das coisas talvez seja nossa possibilidade de recomeço. Melhor sem ponto final! Como sempre um prazer ler seu conto , sua crônica ou sua poesia! Beijos

  2. 01/10/12 at 19:04

    Poeta, a delícia é que escrevendo, vamos descobrindo um novo pedaço do infinito. E vivendo nele. Não cuidemos de ponto final. Antes, de reticências.
    Belo poema, Antonio.

    Beijocas! 

  3. Brenno
    01/10/12 at 19:27

    …que o ponto final
    (coincidência?!)
    é apenas o primeiro ponto
    de uma reticência
      
    (pensei nisso na hora que lia o (precioso) poema e depois deparei com algo sintonizado no terno comentário da Selma que, portanto, endosso (porque adoçado já era) para os devidos fins e efeitos)
       
    Outra coisa, muito bom o detalhe do desfecho: SEM ponto final (pensa que eu não vi?)  

  4. 01/10/12 at 19:29

    Lindo, lindo! Amei. Adoro quando você escreve sobre o ato de escrever e viver. Amo! Ti doro! bjo

  5. André
    01/10/12 at 20:57

    Gama, na vida acredito que é melhor mesmo sem ponto final, e sim com reticências, na esperança de aquilo que foi interrompido possa ser retomado, imediatamente ou  não.
    Como sempre, mais um belo poema escrito por vc e a foto da imagem me lembrou o calçadão da orla carioca – praias tão bonitas que inspiram beleza arrebatando os olhos de quem vê.
    Abraços,
    André

  6. sonia kahawach
    02/10/12 at 1:44

    Tudo o que quero da vida: Uma vida de contos sem contar com quantas linhas se fez e, com certeza, sem ponto final
    Seus poemas penetram e ficam marcados pra que se pare e pense.
     

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