― Alô…
― Alô, de onde fala?
― Com quem o senhor quer falar?
― Com a dona Maria, aqui é o Brito, marido de aluguel…
― Marido de aluguel?
― Isso, a dona Maria me ligou pra fazer uns servicinhos, e eu quero passar o orçamento.
― Que servicinhos?
― Tá marcado aqui ó: trocar lâmpadas, uma torneira pingando, pegar um morcego que entrou ontem de noite e ela fechou na sala, tirar um ninho de pomba que está sendo feito no alto da varanda, e alguma coisinha mais…
― Eram só duas lâmpadas queimadas, que nem faziam muita falta e já troquei, o tal morcego não passava de uma borboleta, e o ninho o jardineiro tirou. Acho que só sobra a torneira pingando, mas já mandei colocar uma nova pra resolver de vez.
― O senhor é o marido?
― Sou. O marido adquirido!
― Mas ela disse que o senhor fez uma cirurgia e não podia pegar peso nem subir na escada…
― Exagero dela. Foi coisinha à toa. Já tô ótimo. O que eu não posso mesmo é cair da escada…
― Então tá. Acho que fica pra outra vez então.
― Fica. Escuta, Brito, a tua firma também tem mulher de aluguel?
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=ZXFginzWtFc[/youtube]
[…]“O remorso talvez seja a causa
Do seu desespero
Ela deve estar bem consciente
Do que praticou,
Me fazer passar esta vergonha
Com um companheiro”
[…]