Annibal Augusto Gama
Os cofres da Prefeitura Municipal estavam vazios, porque os contribuintes não recolhiam os impostos. O dinheiro arrecadado mal dava para pagar o funcionalismo. O Prefeito convocou os fiscais, esbravejou, e ordenou-lhes que tratassem de cobrar os imposto de todo o mundo.
O vendedor de papagaios achava-se na Avenida, vendendo os seus: “Comprem o papagaio falador! Compre este que fala tudo, e é barato!” Os papagaios, no poleiro, mantinham-se calados e arrepiados. E veio vindo, sorrateiramente, um fiscal da Prefeitura, que agarrou o homem. “Cadê o alvará? Cadê o comprovante de pagamento de imposto?” O homem se encolheu, diante dos papagaios assustados. “Que alvará? Que imposto?” Mas, seguro pela manga da camisa, foi levado aos trancos para diante do Prefeito. “Aqui está um devedor relapso!” O Prefeito Municipal olhou o vendedor de papagaios, xingou e protestou: “É por causa de gente como você que a cidade não prospera! Gente que não paga imposto e não cumpre as suas obrigações!”
E mandou buscar o regulamento de impostos, que foi aberto sobre a sua mesa. Correu a ponta do dedão sobre a lista, folha por folha, e não achou nenhum imposto sobre venda de papagaios. Uma falha, uma omissão imperdoável… Como fazer?
Vai então, teve uma inspiração e bateu uma palmada na cabeça:
— Verdura não é verde? Alface, almeirão… Papagaio também não é verde? Cobre-se do sujeito o imposto sobre verduras!”
Assim, o vendedor de papagaios pagou o imposto sobre verduras e retornou para a Avenida a vender os seus papagaios.
Esse prefeito será o 40º ministro da Dilma. Quem viver verá.
Papagaio…
Como os papagaios, além de verdes, andam, voam e até falam, alíquota tríplice neles, Seu Doutor.
Faço das palavras da Selma as minhas.