Brenno Augusto Spinelli Martins
GRAFIA
Tolisse, o que você dice…
mas melhor ter dizido falando
do que se tivece escrivido.
As palavras
não escritas
não machucam o papel.
As estrelas
que não brilham
não aparecem no céu.
O que fere
o ouvido
não alcança o coração.
O que fenece
no olvido
não carece explicação.
Claudia Pereira
Sentido!
Como gostaria de livrar-me das palavras.
Vírgulas, pontos, a letra A
a B também.
Todas elas!
Este exército organizado e incansável.
Daria um soco no queixo
uma a uma,
formando um monte desconexo a minha frente.
Nocaute!
Livre destes ecos
do eco dos ecos
do penso, não penso,
da tinta e papel.
Mas quando vejo,
lá estão os dois;
pensamenntos e letras a postos.
As palavras
num sinal,
hup hup hup
marcham…
Ser poeta
é ser soldado das letras.
(só falta entrar para a Academia).
Nada disso…
Ser poeta
é desmilitarizar as palavras.
Como ocê Brenno
qui num liga pros ais
só faiz,
bem dimais!
Sempre gosto muito do que Brenno escreve. Aliás, vocês dois são minha dupla predileta. Este poeminha ficou delicioso….. E o bilhete ao final é simplesmente de se guardar na gaveta. Tenho alguns assim, rabiscados e coloridos, quando minhas filhas eram pequenas e agora dos netos que também já estão grandes e não me dão mais bilhetinhos nesse formato (que pena!) Tenho até um envelopinho com 5 cruzeiros novos e bilhete dizendo que era pra me ajudar porque eu estava dura…. Acho essas coisas deliciosas pra vida toda.
Tudo isto não fenece no olvido, não carece explicação. São só e puramente sentimentos.
Beijos aos dois.
Breno, que coisa mais linda,
escrivinhando
ternura quente
no olvido
do coração.
bjs, amigo querido.
Sonia tem razão. Que dupla, senhores!
Fico a imaginar se musicassem os poemas… O de hoje me vem ‘abolerado’, meio João Bosco & Aldir, não sei…
Beleza, Brenno!
Brenno, meu coração não sabe desse negócio de gramática. Só sabe ler o que é bonito ou não. Te garanto que ele gostou dos seus rabiscos. Por essas e outras que vivo futucando esse blog. Abcs
Nilton, futuque o meu, como futuco o teu.
Rabisca que eu gosto.
Grande abraço.
Gama, eu gostei muito do poema do Brenno. A palavra grafia em grego quer dizer escrita, ele usou erros gramaticais intencionalmente, com a intenção de destacar o título do poema (os particípios regulares dos verbos dizer e escrever, apesar de corretos, atualmente estão em desuso), o vício de linguagem barbarismo, a inversão de letras em tolice e disse, palavras com o mesmo som (ouvido e olvido – a primeira no sentido de audição e a segunda, de esquecimento). Ele trabalhou muito bem com as palavras. Parabéns.
Abraçaço.