Grafia

 

Brenno Augusto Spinelli Martins

Brenno e o violão

 

 

 

 

 

 

 

                                                

                                                       GRAFIA

 

                                       Tolisse, o que você dice…

                                       mas melhor ter dizido falando

                                       do que se tivece escrivido.

 

                                       As palavras

                                       não escritas

                                       não machucam o papel.

 

                                       As estrelas

                                       que não brilham

                                       não aparecem no céu.

 

                                       O que fere

                                       o ouvido

                                       não alcança o coração.

 

                                       O que fenece

                                       no olvido

                                       não carece explicação.

 

grafia

 

 

               

      Claudia Pereira

Claudia 2

 

 

 

 

 

 

                                    Sentido!

 

            Como gostaria de livrar-me das palavras.

            Vírgulas, pontos, a letra A

            a B também.

            Todas elas!

            Este exército organizado e incansável.

            Daria um soco no queixo

            uma a uma,

            formando um monte desconexo a minha frente.

            Nocaute!

            Livre destes ecos

            do eco dos ecos

            do penso, não penso,

            da tinta e papel.

            Mas quando vejo,

            lá estão os dois;

            pensamenntos e letras a postos.

            As palavras

            num sinal,

            hup hup hup

            marcham…

            Ser poeta

            é ser soldado das letras.

            (só falta entrar para a Academia).

            Nada disso…

            Ser poeta

            é desmilitarizar as palavras.

 

            Como ocê Brenno

            qui num liga pros ais

            só faiz,

            bem dimais!

 

                       

6 comentários

  1. sonia kahawach
    30/05/13 at 11:17

    Sempre gosto muito do que Brenno escreve. Aliás, vocês dois são minha dupla predileta. Este poeminha ficou delicioso….. E o bilhete ao final é simplesmente de se guardar na gaveta. Tenho alguns assim, rabiscados e coloridos, quando minhas filhas eram pequenas e agora dos netos que também já estão grandes e não me dão mais bilhetinhos nesse formato (que pena!) Tenho até um envelopinho com 5 cruzeiros novos e bilhete dizendo que era pra me ajudar porque eu estava dura…. Acho essas coisas deliciosas pra vida toda. 
    Tudo isto não fenece no olvido, não carece explicação. São só e puramente sentimentos. 
    Beijos aos dois.

  2. Lúcia Helena Vieira dibo
    30/05/13 at 11:19

    Breno, que coisa mais linda,
    escrivinhando
    ternura quente
    no olvido
    do coração.
    bjs, amigo querido.

  3. 30/05/13 at 11:41

    Sonia tem razão. Que dupla, senhores!
    Fico a imaginar se musicassem os poemas… O de hoje me vem ‘abolerado’, meio João Bosco & Aldir, não sei… 
    Beleza, Brenno!

  4. nilton
    30/05/13 at 12:27

    Brenno, meu coração não sabe desse negócio de gramática. Só sabe ler o que é bonito ou não. Te garanto que ele gostou dos seus rabiscos. Por essas e outras que vivo futucando esse blog. Abcs 

    • Antonio Carlos A. Gama
      30/05/13 at 12:31

      Nilton, futuque o meu, como futuco o teu.
      Rabisca que eu gosto.

      Grande abraço.

  5. André
    30/05/13 at 18:50

    Gama, eu gostei muito do poema do Brenno. A palavra grafia em grego quer dizer escrita, ele usou erros gramaticais intencionalmente, com a intenção de destacar o título do poema (os particípios regulares dos verbos dizer e escrever, apesar de corretos, atualmente estão em desuso), o vício de linguagem barbarismo, a inversão de letras em tolice e disse, palavras com o mesmo som (ouvido e olvido – a primeira no sentido de audição e a segunda, de esquecimento). Ele trabalhou muito bem com as palavras. Parabéns.
    Abraçaço.

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