Posts from dezembro, 2013

Um samba no Bexiga

 

 

E por falar em hospital…

 

“Um Samba no Bexiga” (Adoniran Barbosa), com ele e Elis Regina se matando de rir

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Domingo nós fumo num samba no Bexiga

Na rua Major, na casa do Nicola

À mezza notte o’clock

Saiu uma baita duma briga

Era só pizza que avuava junto com as braxola 

Nóis era estranho no lugar

E não quisemo se meter

Não fumos lá pra briga, nós fumo lá pra come

Na hora “h” se enfiemo debaixo da mesa

Fiquemo ali, que beleza, vendo o Nicola brigá

Dali a pouco escutemo a patrulha chegá

E o sargento Oliveira falá:

“Não tem importânça,

Vou chamar duas ambulânça.

Carma pessoá,

A situação aqui tá muito cínica.

Os mais pior vai pras Crínica.”

 

 

Larga ela lá

 

            Euclides Rossignoli

 euclides rossignoli

 

 

 

 

 

Bem antigamente, quando não havia nenhum sistema público de saúde, a coisa era mais ou menos assim: o sujeito, quando precisava de atendimento médico, ou pagava tudo (consultas, exames, internações, remédios), ou era tratado como indigente, e aí não pagava nada.

Um belo dia apareceu no escritório do advogado Dr. João Bento um conhecido dele, um agricultor que vivia de muita labuta num pequeno pedaço de terra que havia herdado do pai.

Contou o caso:

— Dr. João Bento, em vim aqui pra ver se o senhor tira a minha mulher que está internada na Santa Casa.

— Mas o que é que está acontecendo?

— É, doutor, minha mulher teve de ser internada às pressas na Santa Casa e precisou ser operada. Já faz mais de quinze dias que ela está lá, mas agora, graças a Deus, está boa, está curada.

— E qual é o problema, então?

— É que eles disseram que não dão alta pra ela enquanto não pagar a conta. E eu não tenho dinheiro, doutor. O que eu tiro lá no sitinho quase não dá nem pra gente comer. Mas eles não querem saber. Disseram que, enquanto eu não pagar, eu não posso levar minha mulher embora. Então eu vim aqui pra ver se o senhor dá um jeito de tirar ela de lá.

— Eles estão tratando mal sua mulher?

— Não, doutor, isso não. Ela está sendo tratada muito bem.

— Então você larga ela lá na Santa Casa.

— Sem pagar, doutor?

— Sem pagar.

— Mas pode fazer isso, doutor?

— Você tem dinheiro para pagar?

— Não, isso eu não tenho.

— Então faça o que eu lhe disse. Mas não apareça mais na Santa Casa. Vai cuidar do seu serviço.

Cinco dias depois o agricultor voltou a procurar o advogado.

— Dr. João Bento, o senhor falou pra mim não aparecer mais na Santa Casa, então eu não fui, mas eles já mandaram avisar três vezes lá em casa que deram alta pra minha mulher.

 

sus