Eduardo Coutinho e Philip Seymour?
Valha-nos, Iemanjá!
“Dois de Fevereiro” (Dorival Caymmi), com ele
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=_1kwtW1r2aI[/youtube]
Eduardo Coutinho e Philip Seymour?
Valha-nos, Iemanjá!
“Dois de Fevereiro” (Dorival Caymmi), com ele
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=_1kwtW1r2aI[/youtube]
Annibal Augusto Gama
Quem não leu o admirável conto de Flaubert, “Un Coeur Simple”? Se ainda não leu, não sabe o que está perdendo.
Felicité era uma criada, que teve a sua história de amor frustrada. Acabou apegando-se a um papagaio chamado Loulou. Afinal, o perroquet morre e ela, também, ao morrer, vê “um vapor azul”, em seu quarto. “Ela avançou suas narinas, aspirando-o com uma sensualidade mística; depois, cerrou as pálpebras. Seus lábios sorriam. As batidas de seu coração diminuíram uma a uma, cada vez mais vagas, mais doces, como uma fonte que se esgota, como um eco que desaparece; e quando exalou sua derradeiro suspiro, creu ver, nos céus entreabertos um gigantesco papagaio, plainando em cima de sua cabeça”.
Fui visitar o meu amigo Germano, que não é muito confiável e, muito imaginoso, conta histórias incríveis. Também eu as conto, e dizem-me: “esta eu não engulo”. Mas engolem.
Na casa de Germano, vi um papagaio no poleiro. Era no inverno e fazia um frio desgraçado. Ao aproximar-me do poleiro, o papagaio, que estava todo arrepiado, disse-me: “Il fait un temps de chien! Quel froid!”
Voltei-me para Germano, exclamando: “O seu papagaio fala francês!” E ele confirmou:
— Pois é… É um papagaio que Flaubert deu ao meu tio-avô, em sua casa, em Ruão.
Ora, Flaubert havia falecido há mais de cem anos e, portanto, o papagaio, ainda que viva sessenta anos, ou mais, não podia ser o que o seu tio-avô recebera de presente de Flaubert.
Mas Germano me explicou:
— Voltando para o Brasil com o papagaio, meu tio-avô arrumou uma papagaia para fazer companhia ao outro. Daí, o casal se apaixonou, e a papagaia botou e cuidou dos ovos que geraram outros papagaios. Este aí é um descendente do casal.
A explicação era convincente, e aceitei-a.
Retornando para minha casa, contei a história a meu papagaio Horácio, que a admitiu como verídica. E também me disse:
— Eu mesmo sou descendente direto de um papagaio que D. Pedro I deu à Marquesa dos Santos. Mas não me gabo. Sou republicano, se bem que a república vai mal, muito mal das pernas…