Brenno, pasmo com as belezas serranas
Claudia, beleza serrana que pasma o Brenno

A graça e a beleza de Luiza, que também pasmam

Quando conheci Brenno, em priscas eras, ele criava galinhas no quintal da casa de sua irmã, Regina Célia.
Na ocasião, fiquei impressionado com a qualidade do pequeno galinheiro e do plantel das galináceas, todas nomeadas, catalogadas, com controle até mesmo dos ovos postos (ou não). Ele vendia a “produção” e o “lucro” na maioria das vezes era investido em discos, igualmente organizados e catalogados. Mas o que ressaltava, e sempre continuou assim, era o seu grande amor pelos bichos, seu jeito para lidar com eles e sua alma bucólica.
Não deu outra. Há anos que mora num sítio, cercado de cães, aves, bovinos e até de um jumentinho (que algum malvado lhe surrupiou).
De uns tempos para cá, Brenno anda enamorado de belezas serranas, que não se limitam à paisagem, fauna e flora.
Apesar de tantas belezas e da alma bucólica, o humano tédio às vezes bate, fruto talvez da licença poética para compor mais uma canção, em parceria outra que não a minha (muito melhor, aliás).
A gravação feita com celular não impede a fruição da delícia, mas não dei conta de convertê-la em áudio para postar antes, o que só consegui agora, com a ajuda de sempre do Saulo.
Poema, canção ou outra obra de arte não se explica. Cada qual sente e saboreia como lhe apetece, mas sempre sabe bem a crônica da criação:
“É uma espécie de rejeição ao bucólico e aspiração ao movimento.
Repudiando a acomodação e pretendendo o exercício.
Trocando o marasmo da paz pela instabilidade estimulante da aventura.
O quieto pelo agitado.
A mesmice do campo pela ebulição da cidade.
Às vezes cheirar fumaça de óleo diesel é mais desintoxicante do que respirar ares puros e monótonos.
Enfim, é uma apologia ao agito e uma crítica à calmaria.
A paz pacifica, mas se ressente da falta de acontecimentos.
Apesar de montanhosa, Serra Negra é uma cidade horizontal, em termos de cultura e evolução.
Sentar no sofá em uma tarde de domingo olhando pela janela cafezais e pinheirais é bonito…
mas entediante.
Sempre faz frio, não se pode usar “vestidos de alcinhas”.
Samambaias são lindas de se ver nas matas, mas se colhidas e guardadas (no “porão”?) perdem o viço.
Os peixes, em um lago de “Pesque-Pague” (lá perto tem um), ficam parados, esperando a morte chegar.
As pessoas (acomodadas em um sofá ou na sala de jantar) também.
A natureza pacifica o espírito, mas não o alimenta.
De repente, surge uma fome de novidades.
E quando “alguma coisa acontece” no coração…
sentamos no sofá olhando a paisagem pela janela.
Um uísque… um violão…
e nasceu essa canção.
P.S.: a gravação, rudimentar, foi feita pelo celular. E a Luiza é, sim, filha da Claudia.”
SAMAMBAIAS NO PORÃO (TÉDIO)
(Claudia / Brenno) Interpretação: Luiza
Sentada no sofá
Lá fora um cafezal que dá
Tédio
Tédio
Pé na estrada
Neil Young a rolar
Bomba H nesse lugar
Vestidos de alcinhas no alçapão
Samambaias no porão
Chega de peixe parado
no lago cercado
pra ser fisgado
Tédio
A poesia concreta de Caetano
quero inalar
O monóxido de carbono
quero respirar
Chega de peixe parado
no lago cercado
pra ser fisgado
Tédio
Samambaias no Porão