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“O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim.”

 

 

“O quereres” (Caetano Veloso), com ele e Maria Gadú

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=BJAkeUvCL1s[/youtube]

 

 

 

 

 

 

“Meu coração de criança…”

 

 

“Coração Vagabundo” (Caetano Veloso) Gal Costa / Caetano Veloso

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=wahK_MBI2hY[/youtube]

 

 

 

Dom de iludir

 

 

                                               ELUDIR

                                     (DES)ILUSÕES

                                               ILUDE

 

 

[youtube] http://www.youtube.com/watch?v=GBpxm1h0AMM[/youtube]

 

 

 

Não li, não assisti e não gostei

 

 

Caetano Veloso (Segundo Caderno) e Artur Xexéo (Revista O Globo) escreveram na edição deste domingo de “O Globo” sobre o filme “The life of Pi”, baseado no livro do mesmo nome de Yann Martel, cuja ideia central foi chupada da novela do saudoso Moacyr Scliar, “Max e os felinos”.

Concordo inteiramente com o que os dois disseram, com a diferença de que não li o livro de Martel nem vou assistir ao filme de Ang Lee, por melhores que sejam as referências.

É o meu jeito, talvez canhestro, certamente inútil, de protestar contra a conduta malandra e desrespeitosa de Martel, que além de se apropriar da ideia de Scliar e com ela empalmar o prêmio Booker Prize, tentou se justificar dizendo que havia lido apenas uma resenha sobre o livro do brasileiro (resenha essa que John Updike, o suposto autor, nega ter escrito), e ainda não se pejou de dizer que Scliar seria um escritor menor diante de uma grande ideia.

Não acho que em literatura, e nas artes em geral, existam ideias absolutamente novas ou originais. Nem mesmo creio que isso seja importante. Os autores de qualquer modalidade artística sempre partem de um legado preexistente, até mesmo para negá-lo e contrariá-lo. Queira-se ou não, ninguém escapa da influência daqueles que o antecederam ou lhe são contemporâneos, até mesmo de autores e obras que não se chegou a tomar conhecimento direto. É o círculo virtuoso da arte.

Nada há de errado, pois, e é até muito natural partir de um mesmo tema ou de uma mesma ideia para desenvolver uma nova obra. Os próprios artigos de Caetano e Xexéo, quase se repetindo um ao outro, são um exemplo disso.

O que me repugna é o maucaratismo, a cara de pau, o descaramento revelado por Martel. Algo parecido com o que fez Rod Stewart, que plagiou o refrão de “Taj Mahal” de Jorge Benjor e depois, para se safar do processo, cedeu os direitos autorais da “sua” composição “Do ia think I´m sexy?” para a Unicef!

Quando Moacyr Scliar morreu, em fevereiro de 2011, escrevi aqui a respeito da apropriação indébita de Martel, e fico contente agora em saber que, com Caetano e Xexéo, estou em boa companhia (sem nenhum plagiar o outro).

 

 

max-e-os-felinos (1)

life-of-pi (1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Até as capas dos livros de Scliar e Martel são muito parecidas

 

 

 

 

Livros

 

 

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=AkPozzLSrsM[/youtube]

 

 

 

Dó de peito

 

 

 

       Joaquim Ferreira dos Santos me alertou na segunda-feira passada para o relançamento de “Tem que acontecer”, do saudoso Sérgio Sampaio, e para a música do disco preferida dele, “Velho bode”, “aquela do “Você é um fracasso / do meu lado esquerdo do peito / uma corda de nylon / de aço / que arrebenta quando faço dó”. Nesse “dó” final ele tira o som da nota no violão, um dó pungente capaz de deixar humilhados os do Nélson Cavaquinho”.

        De Sérgio Sampaio nunca me esqueço (“Eu quero é botar meu bloco na rua” é uma das músicas prediletas da minha mulher), mas confesso que há muito tempo não ouvia uma canção dele, nem me lembrava do “Velho bode”, segundo Joaquim Ferreira dos Santos “um dos bichos mais geniais da MPB (ao lado do “Pato”, do João, do “Sapo” do Donato, da “Perereca” da Dercy”)”.

       Sérgio Sampaio, que se foi tão cedo, faz muita falta no cenário da MPB, não apenas pelo seu imenso talento, mas por ser um dos maiores representantes de uma vertente meio “maldita” (semelhante à dos poètes maudits), iconoclasta e irônica, sem medo de palmear o “brega”. Raul Seixas, Tom Zé, Jards Macalé, Eduardo Dusek e o próprio Caetano Veloso podem ser incluídos no mesmo time.

       A exemplo de Joaquim Ferreira dos Santos, também “sou de uma geração em que a ordem do mundo mudava ao sabor de um LP do Caetano, do Chico, dos Beatles. Hoje, eu ouço o Criolo, os crioulos do rap, e, a não ser que você me desminta, Dapi, não percebo as águas do mar se abrindo. A música não é mais o importante, mas o show.”

     Saí atrás do bode, e daquele “dó”, o que hoje em dia é bem fácil com o prodígio do YouTube.

         Passei o resto da semana com o velho bode e o seu “dó” final me doendo no peito.

      Comprei o CD (com outras faixas ótimas) que  — como se dizia antigamente — está prestes a furar, de tanto tocar.

 

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=2H_d4NEz5bE&list=FL4NABM5uSuIBCGiiPxgvugA&index=1&feature=plpp_video[/youtube]