Posts with tag "MPB"

Sou boy

 

 

Podia ser pior, Bell…

 

 “Sou Boy” (Kid Vinil), com ele e o grupo Magazine

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=chZzaX9rHlE[/youtube]

 

 

E o nome civil do Kid Vinil é Antônio Carlos Senefonte…

 

 

 

Quero mais é saúde!

 

 

“Saúde” (Rita Lee / Roberto de Carvalho), com Zélia Ducan

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=-7_GT4dI8YE[/youtube]

 

 

 

Desencontro

 

 

 

“Desencontro” (Chico Buarque), com Chico e Toquinho

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=yRckNmA05JI[/youtube]

 

 

 

Balde D’Água

 

          Annibal Augusto Gama

Annibal

 

 

 

 

 

Quando passava debaixo da janela, ela entornou sobre ele o balde d’água com que regava as plantas, no balcão. Ele olhou para cima, aborrecido. Oh, exclamou ela, me desculpe, foi sem querer. E ainda bem que não entornara sobre ele o conteúdo de um urinol, se é que ainda existem urinóis.

Por favor, entre, que eu vou enxugar a sua roupa. Ele entrou, ela ajudou-o a tirar o paletó, e tratou de ir secá-lo e passar-lhe o ferro quente. As suas calças também estavam molhadas, mas ele não iria sacar as calças. Pediu uma toalha, e enxugou-as como pode. Não conseguiu deixar de rir.

É a primeira vez em que conheço uma mulher que me entorna um balde d’água. Ela também sorriu. Nunca o vi caminhar por aqui. Explicou-lhe que viera por ali casualmente, sem dar-se conta, porque o seu caminho habitual era outro. Vestiu o paletó, e já ia embora. Aceita um cafezinho? ─ ela lhe perguntou. Aceitava, e ela lhe trouxe uma xícara de café. Mais uma vez, me desculpe. Era uma mulher de uns trinta anos, bonita, mas sem exagero. Espero que isto seja o começo de uma amizade, disse-lhe. Também espero, ela concordou.

Uns dias depois, ele passou debaixo da mesma janela. Parou e bateu na porta. Ela abriu e convidou-o a entrar. Entrou. Um cafezinho coado agora mesmo vai bem? Outra xícara de café, ele sentou-se na poltrona que ela lhe indicou, e acendeu um cigarro. Chamava-se Maria de Nazaré.

Tudo começa imprevistamente, ou é o destino, como se propala.

Maria de Nazaré contou-lhe sua vida. Morava sozinha, com a mãe, que ele ainda não vira. Providencialmente, na ocasião, a mãe estava ausente, em outra cidade, visitando parentes.

─ E o senhor, que me conta do senhor?

Não ia fazer-lhe um relatório; contou-lhe o que podia interessar, uma coisa e outra. Não me chame de senhor, que eu também não a chamarei de senhora, Maria de Nazaré.

─ Agora que nos conhecemos…

─ Por força de um balde d’água entornado…

─ Seja como for, me sinto feliz.

As mãos dela entre as mãos dele, ambos sentados um diante do outro.

Um ano depois estavam casados.

Minha leitora ocasional: quando as coisas não estão dando certo, e a vida parece um tédio prolongado, atire um balde d’água no cavalheiro que passar debaixo da sua janela.

 

regador 3

 

 “O que é o amor?” (Danilo Caymmi / Dudu Falcão), com Selma Reis

 

 

Luzes da Ribalta

 

 

Theatre stage with red curtain

 

“Life’s but a walking shadow; a poor player,

That struts and frets his hour upon the stage,

And then is heard no more: it is a tale

Told by an idiot, full of sound and fury,

Signifying nothing.”

(Willian Shakespeare, MacBeth, Ato V, Cena V)

 

 

 

                                                           A cortina se rasga

                                                           e me põe em cena

                                                           a contragosto

                                                           num palco mofino.

                                                           Enceguecido

                                                           pelas luzes da ribalta

                                                           tateante

                                                           tartamudo

                                                           guiado pelo ponto

                                                           recôndito

                                                           no proscênio

                                                           enceno

                                                           um texto obscuro

                                                           cheio de barulho e fúria

                                                           significando coisa nenhuma.

 

 

 [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=DlxaHMFkA3s[/youtube]

“Luzes da Ribalta” (Charles Chaplin, versão João de Barro (Braguinha) / Antônio Almeida); Texto de Fernando Pessoa; “Drama” (Caetano Veloso), com Maria Bethânia

 

 

 

Gene é um gênio

 

Enviado por Selma Barcellos

(vídeo montagem de Antonio Romane, genial colaborador do Bloghetto Selma Barcellos)

 

  

Rádio Todo Sentimento une-se hoje à coirmã Verouvir e orgulhosamente apresenta, em primeira mão, a música que Gene Kelly sonhava dançar na antológica cena da chuva, mas, por algum motivo, não foi possível. :-)

Por falar em gênio, valendo prêmio, Romane!

 

 

 

 

Abel Ferreira tocando “André de Sapato Novo” , de André Victor Correia​

http://www.youtube.com/watch?v=SZAIwmYr5BQ

 

Obs.: Conta-se que André Correia estava num baile e passou maus momentos ao dançar com um sapato apertado. A dor dos calos, fato aparentemente banal, foi a inspiração para o talentoso compositor nos legar um dos mais populares choros da história da música brasileira. Poucas músicas têm o privilégio de poder ser identificadas por uma nota, como é o caso de  “André de Sapato Novo”. Bastava Pixinguinha extrair do saxofone seu Mi grave para todo mundo reconhecer o que vinha a seguir. Aquele grave representava a parada que faz a todo momento o indivíduo que calça um sapato novo, calos gritando dentro do calçado… (Selma Barcellos)

 

 

 

Só nos resta uma canção

 

 

 

“Derradeira Primavera” (Tom Jobim / Vinicius de Moraes), com Paula Morenlebaum

http://www.youtube.com/watch?v=dUW4cLQYcDc&hd=1

 

 

 

As coisas boas da vida

 

 

Dorival Caymmi é uma das coisas boas da vida, das melhores, para ser degustado sem pressa, slow food.

Como das melhores é esta gravação, creio que pouco conhecida, de um clássico do mestre (qual de suas canções não é um clássico?), feita pelo grupo Nouvelle Cuisine, com o excepcional vocalista Carlos Fernando Nogueira, que deixou a banda (a qual agora se chama apenas Nouvelle) para se dedicar à carreira solo.

 

 

grupo nouvelle cuisine

 

“Você não sabe amar” (Dorival Caymmi / Carlos Guinle / Hugo Lima), com Nouvelle Cuisine

 

 

 

E consta que esta seria a versão predileta do próprio Caymmi para um outro clássico seu.

 

 

Jane Duboc

 

“Só Louco” (Dorival Caymmi), com Jane Duboc

 

 

 

Todo menino baiano tem um jeito que Deus dá

 

       Selma Barcellos

Selma (perfil)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

caymmi 

Atrasado para uma gravação na TV, saiu praticamente da cama para o carro do Bôscoli, que lhe perguntou:

─ Não vai passar nem um pente no cabelo?

─ Não, eu já vim penteado da Bahia.

***

Carecia mesmo não. Ao rei primeiro de Maracangalha y Balangandã, à mais completa tradução de dengo com cheiro de mar, concede-se.

Para Ubaldo, Caymmi era um “fazedor de beleza”. E ainda tocava um violão recôncavo. Podia tudo.

 

Amigos, pelos 100 anos do mestre, comemorados hoje, o que vocês gostariam de ouvir? Digam lá. Por ora, Bethânia e o valentão mais doce da MPB.

 

http://www.youtube.com/watch?v=ZA1JGx-Frng

 

 

“A música é Caymmi, Caymmi é a música, e eu não seria músico se não fosse Caymmi.” (Tom Jobim)

 

“Tirem os olhos de mim, que eu nada sou além de um tocador de violão. O gênio se chama Caymmi. Então, vão ouvi-lo, vão entrevistá-lo. Ele é o mestre, ele é a música.” (João Gilberto)

 

“O melhor é Caymmi.” (Carlos Drummond de Andrade)

 

“Escrevi 400 canções e Dorival, 70. Mas ele tem 70 perfeitas e eu não.” (Caetano Veloso)

 

 

jangadeiro (Caymmi) (Jangadeiro, tela de Caymmi)

 

[…]

“Uma outra noite singular me levou para as praias da infância à espera da jangada. E se ela voltasse só? Gritei pelo nome dele, como na “Suíte dos Pescadores”. A névoa foi se desfazendo e vi não só uma embarcação. O mar vinha constelado de jangadas, os rudes remendos das velas brilhando feito veios de ouro. Estrelas cadentes iluminavam à volta com verde luz, verde arrebentação, e o que são as cristas das ondas a não ser arestas de astros antigos? Havia cardumes de rosas, rosas formosas de abril, saltando do mar como peixes, pétalas de escamas em tremeluzir de pálpebras. Chico, Bento, Pedro, Zeca, João Valentão, Anália, Jorge Amado, Carybé, todo o povo de Caymmi, o pobre povo brasileiro na miríade de jangadas. Voltavam com nossas sedes e fomes históricas, sofridos como nunca, torturados pelos cães dos poderosos, mas cheios de altivez e integridade nas roupas brancas rasgadas. E também, de relance, Dorival com a Senhora dos Navegantes, e ele sorria porque nosso futuro inova nosso passado, e neles Dorival Caymmi está sempre cantando, dulcíssimo de sal marinho, lampejo eterno em cada gota do presente.”

Podem achar que eu pirei. Pra escrever sobre Caymmi e a morte, só louco.”

(Aldir Blanc, em “A volta da jangada”, ‘O Globo’, 27/4/2014)

 

 

“Beijos pela noite”, dos amigos Caymmi, Jorge Amado e Carlos Lacerda. Bobagem…