O mar estava para peixe, e para jacaré.
Maré baixa, água quentinha, vento gostoso e lindas ondas se formando, uma atrás da outra. Surfistas e outros tipos de prancheiros se esbaldavam lá longe.
Ignorando os apelos à sanidade feitos pela minha Penélope (que insistia em me lembrar do pulso esmigalhado anos atrás, no primeiro dia de férias… uma provação dos deuses!) levantei-me resoluto e qual Ulisses avancei mar adentro, levado pelo canto das sereias, sem ter a cautela de me amarrar ao mastro.
Devo confessar que professo a prática primitiva do velho e bom jacaré, precedente ao surfe e a todas as outras modalidades prancheiras.
O jacaré, para quem não sabe, consiste em pegar onda sem prancha ou outro intermediário, fazendo do próprio corpo o apetrecho deslizante. Exige prática e habilidade, mas só não desapareceu ainda porque na tenra idade as crianças, intuitivamente, começam por ele. Logo o abandonam, porém, assim que têm acesso aos aparatos cada vez mais tecnológicos, de vário feitio. De modo que não chegam a alcançar o grau de excelência no jacaré.
É vero que fiquei aquém mar dos surfistas e companhia, com água à altura do peito, um pouco mais ao fundo do que a molecadinha do bodyboard iniciante.
Estudei o vento, a formação das ondas, a correnteza e outras variáveis. Para pegar um jacaré magistral, não se pode afobar, entrar antes do momento exato na onda, no preciso instante em que ela cresce e se precipita.
Veio afinal a onda perfeita, bracejei, incorporei-me a ela e deslizei intrépida e velozmente até chegar ao rés da praia, enquanto a molecadinha afoita do bodyboard ia ficando pelo caminho.
Quando me erguia triunfante, dois meninos vieram até mim com suas pranchas para me reverenciar:
— Tio, como é que você faz isso?
— Cinquenta anos de praia, respondi-lhes magnânimo, enquanto tratava de cair fora para manter a minha fama de mau.
E no ranking dos top 16 de todos os tempos, eis Kelly Slater, Adriano de Souza, Guilherme Herdy (meu vizinho, queira desculpar a modéstia) e TOM GAMA!!!
ALOHA!
Beijocas!
P.S.: A foto está sensacional! Me empresta tudo para o Bloghetto?
Selminha, sabe que ia lhe sugerir postar no Bloghetto terça-feira próxima?
E lá você precisa me pedir licença pra alguma coisa?
Beijocas.
Gama, eu também já peguei muito jacaré pelas praias da vida… sem dúvida é uma sensação indescritível, mas eu também já peguei onda com prancha, já mergulhei por baixo dela, eu sempre gostei muito de praia e mergulhar no mar.
Abraçaço.
André jacaré e surfista!
A cada dia uma revelação…
Abraçaço.
Velho e experiente, é o que conta… eu cá pros meus lados (que não tem mar, só rio) não entendo muito de jacarés e cia… mas acho bacana e gosto de ver (da praia é claro).
forte abraço do leitor,
c@urosa
Meu bom amigo Carlos Rosa, é sempre uma satisfação quando você aparece por aqui, e enriquece o blog com seus comentários.
Grande abraço.
V. é daqueles como comentei dia desses no meu blog: ……..conheço homens que passaram faz tempo dos 50 e até dos 60 e estão inteirões em sua performance masculina….
Eu, como tenho a capacidade de me afogar no chuveiro se coloco o rosto virado pra água, admiro quem entra na água pra valer e pega um jacaré com toda a ousadia rsrs
Beijos
Esse jacaré-lobo-do-mar está tão rejuvenescido e atleta que me lembra os idos tempos da Pensão Amazonas e as coadjuvantes bicotrolhas…
E… ainda bem: homem do mar não se afoga, ó intrépido filho de São Jorge!