Vale um confere em Melody Gardot…
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O dia em que Selminha acordou cadê…
Selma Barcellos
Não sei se foi o jardim de domingo dos vizinhos que quando tem pouca gente (de três gerações) tem 30 e ontem apareceram com um livro do Loyola com lembranças que se você reconhecesse como suas, você seria jovem, médio ou dinossauro; se foi homenagear Adoniran Barbosa lá no blog da filha Maria Helena; se foi Melody Gardot mandando muito bem nessa musiquinha de dançar em frente ao espelho; se os galhos assim de maracujá do outro vizinho despencando no meu quintal; se o zizi das cigarras antes de levantar para a malhação… só sei que hoje eu acordei completamente cadê.
Cadê as tanajuras, os tatuís, as joaninhas, o anil clareando as roupas no varal, a coleção perfumada de figurinhas do sabonete Eucalol, os decalques de flores de enfeitar papel almaço nas provas “nota 10, com louvor” sobre os afluentes do Amazonas, o sinal do recreio, a sapatilha cor de rosa do ballet, as matinês de Tom & Jerry com a melhor amiga da infância? E o Biotônico Fontoura que eu lia biotonico porque ele deixava o Tonico duas vezes mais forte?
Cadê as domingueiras do clube, o baile de debutantes, eu dançando “Lover”, a coreografia do hully-gully, Trini Lopez, “Oh, Carol”, o chá-chá-chá e o chá de cadeira sem ninguém tirando a gente para dançar, o uniforme de normalista com estrelinhas na lapela, o casaco de banlon, o cheirinho de Pinho Silvestre dos galãs?
E lá ia eu tão romanticamente saudosa nesse delicioso exercício de arqueologia afetiva, quando me deparo com uma reportagem intitulada “Em busca da larica perdida”, onde a jovem rapaziada dá depoimentos sobre seus inesquecíveis lanches de infância. O mais votado? Cigarrinho Pan. Que isso, gente?
Cadê meu drops Dulcora, embrulhadinho no celofane, um de cada cor? Assim, exatamente como estão guardadas as lembranças en mi corazón de melón, melón, melón…