Adalberto de Oliveira Souza
VIGILANCE
Un spectacle prémonitoire,
somptueux ou non,
peut réduire à l’essentiel
l’illusion gâchée.
Il faut garder l’incognito,
feindre la lacheté,
retirer en douce,
pour pouvoir attaquer
à l’improviste ensuite.
Pour franchir les ponts,
les ponts infranchissables
des rêves dorés.
Pour transpercer
ce qu’on veut.
Il faut du temps
quelques fois.
Tout se contracte
Dans l’amalgame d’un cauchemar
Tout se répète au dehors de la réalité.
Tout s’alterne sans mesure prévue.
La vie s’encombre de dégâts
quand on ne la touche pas.
VIGILÂNCIA
Um espetáculo premonitório,
suntuoso ou não,
pode reduzir ao essencial
a ilusão destruída.
Permanecer incógnito,
fingir covardia,
se esquivar imperceptivelmente
para poder atacar
de improviso em seguida.
Para atravessar as pontes,
as pontes intransponíveis
dos sonhos dourados.
Para atravessar
o que se quer.
É preciso tempo,
às vezes.
Tudo se contrai,
no amálgama de um pesadelo.
Tudo se repete na periferia da realidade.
Tudo se alterna sem medida prévia.
A vida se entulha de escombros
quando não é tocada.
Os entulhos
na sombra
da vida destocada.
E o tempo, como sempre, rei.
A última estrofe é bela, forte. Como todo o poema, Adalberto.
“Se tempo é de descer,
reter o dom da força
sem deixar de seguir.
E até mesmo sumir
para, subterrâneo,
aprender a voltar
e cumprir, no seu curso,
o ofício de amar. “ (Thiago de Mello)
E de viver.
Montmartre dans la brume…
Foto linda, Antonio.
Acho que “roubartilhei” a foto de você, Selminha.
Foi não?
Se foi, está bem ‘roubartilhada’ , e o poema do Adalberto ampliou sua beleza.
Gama, o poema em francês me lembrou uma famosa frase de Saint-Exupery em O Pequeno Príncipe, que diz: “Voici mon secret. Il est très simple: on ne voit bien qu’avec le cœur. L’essentiel est invisible pour les yeux”. Traduzindo: “Eis o meu segredo. Ele é muito simples: somente vemos bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Aliás, esse é um livro que todos deveriam ler.
Os escombros da vida
São perigos passageiros
Pois está escondida
A razão verdadeira
Que é a libertação.
Abraçaço.
…a vida se entulha de escombros quando não é tocada!!!
Abraço Adalberto.
Quel beau poème, mon cher ami, et quelle belle photo de Montmartre. Qu’ il me manque Montmartre!!!
Tudo se repete na periferia da realidade.
Tudo se alterna sem medida prévia.
E Montmartre e suas faces. Poema lindo e sublime, parabéns, sempre.
Bien reçu le message. magnifique poème, cher ami. félicitations!
Rejane
Olá, Adalberto
Gosto de ver como os seus poemas têm uma inspiração simbolista (se é que não estou falando bobagem…). Nos últimos tempos, há toda uma abordagem seca, sintética demais entre vários autores de poesia, como fosse feio voltar a usar as imagens abstratas e a musicalidade, não?
Vou acompanhar o blog Estrela Binária também, mas continue enviando!
Abraços,