Selma Barcellos
Estão acompanhando o quiproquó sobre o Acordo Ortográfico em Portugal?
Seguinte: o presidente do Centro Cultural de Belém, poeta Vasco Graça Moura, simplesmente ordenou que todos os corretores ortográficos fossem retirados de sua instituição e corre contra o fim do tempo de transição – 31 de dezembro de 2014 – para fazer valer seus argumentos de que o acordo “desfigura a língua portuguesa”. No caso da supressão das consoantes mudas, por exemplo, o poeta prevê o caos: “adopção“, se escrita “adoção“, será lida “adução“, que é do verbo “aduzir” e não “adoptar”.
No Brasil, a transição que expirava em dezembro de 2012 foi estendida até 2016. Mas as regras foram internacionalmente discutidas pela ABL, o Congresso aprovou, e os 10 anos que a lei exige para sua regulamentação foram cumpridos.
Esta blogueira, a princípio zuretinha com os hifens, e devastada pela morte do trema (AQUI), adoptou as mudanças. Fazer o quê? Só não se conforma, até hoje, com o sumiço do acento do “pára” (verbo) a gerar ambiguidades e equívocos. Complicou.
POEMINHA ORTOGRÁFICO
Baila comigo?
─ pergunta ele ─
com tudo.
Para já!
─ escreve ela ─
do outro lado
da tela,
deixando-o
mudo.
E no entanto
─ sonhava ─
era para já
que bailassem.
Era urgente
que se amassem.
Maldita reforma.
Fez confundir
um sinal
tão agudo.
Foi grave.
(Itacoatiara, algum outono, 2012)
Selma, a palavra ortografia vem do grego (orto – correto e grafia – escrita). Se não me engano, já é a terceira reforma pela qual passamos (as outras foram em 1943 e 1971) e, realmente, demoramos a nos adaptar a ela porque estamos acostumados da outra forma, no caso que você citou, a forma pára (do verbo parar) pode ser confundido com a preposição essencial para; por outro lado, pôr (verbo) e por (preposição), fôrma/forma, têm/vêm (plural) e tem/vem (singular) ainda continua.
Beijoca!
Polivalente mestre André, adoro você! Tranqüilamente (tão lindo com o trema…), um querido do Estrela e do Bloghettinho.
Beijocas!
Como a falta de um acento confunde o assentimento e os sentimentos!
Maldita reforma ortográfica!
Quem bem diz mesmo é sempre você, Selminha.
Beijocas.
Quem faz uma reforma enlouquecida e autoritária dessas não para para pensar…
Prejudicar apaixonados deveria ser crime hediondo…
Beijocas!
por oportuno:
CONTRAARREGRA
E o acento da ideia?
Tá fazendo tanta falta…
Era como a lampadinha
que acendia na cabeça
do tal Professor Pardal
quando tinha boa idéia,
que nem é mais 51,
que cinquenta e um sem trema
já nem parece cachaça,
já não dá delirium tremens…
o trema é que era a graça!
Só falta agora tirarem,
sem respeito e sem dó,
o chapèuzinho do vovô
e o grampinho da vovó…
Só.