Na galeria

 

       Selma Barcellos

Selma 2

 

 

 

 

 

 

 

O minúsculo salão para à entrada daqueles jovens. Altos, bonitos, atléticos, elegantes em suas bermudas cáqui, mocassins tipo italiano, um de camiseta ajustada ao corpo, o outro de social rosa-claro com mangas dobradas. Modelos, certamente.

De um lado, as manicures. Poucos metros à frente, as cabeleireiras. Apenas um cortaria o cabelo. O outro acomoda-se na cadeira ao lado, girando-a para melhor observar o companheiro. Conversam baixo, não olham para os lados, sequer pelo espelho. Discretos. Raros, portanto.

De vez em quando o que aguarda se levanta, circunda a cadeira e orienta a profissional quanto ao desenho da nuca do amigo. De quebra, passa a mão para tirar o excesso de pelos caídos.

Encerrados os trabalhos, uma única fala (entre)ouvida: “Deixa que eu pago. Não devia, hein! Você me fez passar a noite em claro com o choro do baby” .

Beijam carinhosamente a cabeleireira, dão um boa-tarde formal a todas nós, e se vão. Pela parede envidraçada que descortina a galeria, ainda os vemos, mão no ombro, brincadeiras, risos.

– Adoro esses irmãos… Corto o cabelo deles desde pequenos. Sempre educados e unidos assim… – diz a cabeleireira sacudindo a capa.

Corta. (barba, cabelo, bigode e, se conseguirmos, as conclusões precipitadas, os pré-conceitos)

 

FOFOCA-3-BRUCE-GILDEN

 (by Bruce Gilden)

 

 

7 comentários

  1. Brenno
    10/07/13 at 12:44

    Muito bom, Selma!
      
    Todo tipo de amor
    vale a pena.
    Corte-se a cantilena.
      
     
     

  2. André
    10/07/13 at 14:39

    Selma, parabéns por mais um excelente texto seu abrilhantando a minha vida e as quartas-feiras aqui no Estrela.
     
    O amor é um nobre sentimento
    Que vale a pena ser desfrutado
    Porque por ela estou arrebatado.

    (terceto de minha autoria)
     
    Beijoca!

  3. Antonio Carlos A. Gama
    10/07/13 at 21:31

     Lembrei-me de uma coletânea de charges de antanho, que saíam em “O Cruzeiro” ou na “Manchete”, sob o título “As aparências enganam”, em que de um lado os contornos das sombras aparentavam situações terríveis e escabrosas, e do outro lado se revelava uma cândida cena da realidade.

    Lembra disso, Selminha, ou eu pareço velho demais?

    É só aparência…

    E sempre usei camisa cor de rosa!

  4. 10/07/13 at 22:18

    Eu me lembro e curtia muito, Antonio.
    Foi por aí. Leitura de estereótipos…
     
    Beijocas! 

  5. paulinho lima
    12/07/13 at 0:55

    Algo aconteceu ou me enganei. tinha certeza que já tinha comentado.
    cai no meu (pre) conceito. beleza de texto. fui fundo no desenvolvimento. Coisa de quem sabe escrever. 

Deixe um comentário

Yay! You have decided to leave a comment. That is fantastic! Please keep in mind that comments are moderated. Thanks for dropping by!