Selma Barcellos
Seria pedir muito que inventores de placas de banheiro fossem menos criativos? Por conta do exagero de suas genialidades e… hummm… de meus chopinhos, passo bons apertos. Cidadão adentra corretamente o recinto dele e eu mando um altivo “o que o senhor está fazendo aqui?”. Em outra ocasião, garçom supergentil bate à porta: “Madame, perdão, este toilette é masculiiiino!”.
Para completar, vou com certa frequência a um restaurante italiano em cujas portas de banheiro há fotos bem antigas, em preto e branco, do rosto do nonno e da nonna. O vovô tem bigodão e a vovó, um buço de responsa. Juro, gente, às vezes inverte… Se bobear, até de costeleta já vi aquela senhora. Mas agora fico esperta. Por alguns segundos, guardo distância regulamentar, ponho a mão no queixo e faço cara de turista no Louvre. Tem funcionado.
Observem, queridos do blog, a que nível de complexidade a coisa chegou: gírias australianas Blokes (garotos) e Sheilas (garotas) em restaurante de rede famosa; palavras celtas Fir e Mna em lounge badalado (ilustraram depois, a pedidos); garrafa e taça sugerindo pipiu e pepeca estilizados e minimalistas… Assim não dá.
Está de bom tamanho escrever MASCULINO e FEMININO, com ícones clássicos do gênero humano. Em português mesmo. Nada de M de men (ou de mulher?).
Nem de objetos em rosa, azul… A blogueira já é uma pastel. E pode ser daltônica, não?
Ainda outro dia, num desses bares descolados de Sampa, me vi diante de duas figuras assexuadas, dois ETs cubistas postos ali à guisa de indicar os banheiros feminino e masculino.
Como o menino Bandeira, fiquei parado o coração batendo, até que duas moças sorridentes entraram num deles e eu, por conseguinte, no outro.
O banheiro não tinha os indefectíveis mictórios masculinos presos à parede, era comum, cheio de espelhos, tudo muito limpo e cheiroso! Escafedi-me.
Até hoje estou desconfiado…
Você me representa, Selminha!
Antonio, o cartaz do Verissimo na próxima passeata que houver será “Pela volta da tomada de dois pinos!”.
O meu será “Pela volta da cuba redonda da pia!”. Os designers andam abusando da criatividade, allons combiner. Que graça tem ver a água escorrer por uma pedra plana… Antinatural.
Quanto aos banheiros, outro dia o masculino tinha um chapéu charmosíssimo que eu usaria tranquilamente. Quase entrei. Salvou-me a cara de Louvre.
Nós nos representamos.
Beijocas!
Selminha, vou de porta-cartaz com você e Veríssimo: a tal tomada brasileira (só existe por aqui) e as tais pias escalafobéticas são de lascar!
Selma, você está coberta de razão: por um lado a criatividade dos autores das placas é boa porque mostra inventividade, novidade e por outro, é ruim porque acaba nos confundindo.
Deveria ter mesmo um MASCULINO e FEMININO, em português bem claro (não tinha pensado nisso: M pode significar tanto men, em inglês, quanto mulher…)
Aliás, vou confessar uma coisa, pela primeira vez: assim como o Gama, fiz confusão e entrei no outro banheiro que ele descreveu. Hoje conto esse fato rindo, mas na hora fiquei com uma vergonha…
Você também me representa.
Beijoca!
André, a família já fica de olho em mim… Quando volto, perguntam: — Acertou?
Tenho cenas antológicas. Apenas que, como você, fiquei com vergonha e contei poucos causos.
Parece que em Portugal resolveram esse dilema de uma forma muito prática e elementar, ora vejam:
Colocaram um “M” (de masculino) no banheiro dos homens
e outro “M” (de mulheres) no toilette feminino…
e havia um outro banheiro ostentando um terceiro “M” (de mais-ou-menos).
De qualquer forma, a letra “M” (de mictório) já resolveria tudo.
(qualquer “representação” indevida é mera coincidência)
M para Maria e para Manoel, ó pá. Mas se pararmos para observar os bigodes… aí é que nos confundimos mesmo.
E pode ir parando de brincadeira com meus portuguinhas, schizfaizfavoire.