Selma Barcellos
“O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.”
Já sem o bigode da mocidade, alguns imbecis insistem em também tirar os óculos da estátua de bronze do poeta, em Copacabana.
O que ele (ou a estátua) diria?
O poema de Selminha diz.
MAS COMO DÓI!
Se me chateio? Demais.
Choram meus olhos inúteis
e minhas retinas fatigadas
já nem perguntam nada.
Minhas pupilas estão gastas
pela visão contínua de anjos tortos,
desses que vivem na sombra,
à espreita, no meio do caminho.
Fosse esse gauche de óculos
a estátua de uma bunda,
a vasta bunda da Raimunda,
engraçada, sempre sorrindo,
haveria rima e solução.
Eis que mais vasto é meu coração.
E aqui de onde escrevo
estamos todos vivos
(mais que vivos, alegres) —
eu, o poetinha, o Braga, o Jobim…
Nada devia dizer
sobre tristes fatos, ao cabo.
Mas essa lua, mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
Bela técnica de homenagem.
Sempre é bom homenagear Drummond.
Très bien réussi !
Essa menina é danada. Beleza!!! Comoveu , que jogo lindo de palavras e versos. Viva!!!!!!!!!
Selma, eu também adoro Carlos Drummond de Andrade, cujos 111 anos serão completados amanhã (31/10). É difícil destacar um poema dele de que eu mais goste, mas o de sua autoria é de uma reflexão fecunda: é a destruição de um monumento.
Beijoca!
Sabe que de lá para cá cessaram os furtos ? Ahá.
Vocês são uns queridos, meninos.
Capricho de edição, Antonio. Obrigada!
Selminha, “comovida como o diabo”.
Lindo, lindo!