A base é uma só: être heureux

 

        Selma Barcellos

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Não bastasse me deparar com a safira que reverberava no espelho d’água da Lagoa, almoçar na icônica Nascimento Silva, visitar a “Toca do Vinicius” – pequeno e charmoso templo da Bossa Nova, repleto de livros, songbooks, DVDs, CDs, camisetas, vinis, com um dono enciclopedicamente informado sobre música, ótimo papo – , a tarde ainda me reservava conhecê-lo.

Ça va, Pierre! exclama o dono para um senhor que entra e caminha até nós. Somos apresentados. Era Pierre Barouh. Até tentei segurar a onda que se ergueu no mar. Mas não deu, gente. O homem faz parte da trilha sonora da minha biografia e me concedi o mico de cantarolar “être heureux c’est plus ou moins ce qu’on cherche” … Ganhei o maior sorrisão e na fotografia estamos felizes.

Só esqueci de comentar com Pierre (sentiram a intimidade?) que moro em Itacoatiarrá, praia onde ele passava temporadas em priscas eras (a casa hoje é um clube), recebia Tom Jobim… Quem conta é minha vizinha, uma das mais antigas moradoras. “Itacoatiara era deserta e à noite acendíamos lamparinas. Até Antonio Maria teve casa aqui, Selminha!”.

Saí da Toca nas nuvens e com (mais) um livro do Ruy Castro sobre a Bossa Nova. Delícia de leitura. Já cheguei no Descobrimento de Búzios por Brigitte Bardot, em fotos deslumbrantes. À certa altura, lá está:

“No dia em que se reescrever a Constituição, um dos novos artigos dirá: Todo brasileiro tem direito a um cantinho e um violão. Tem direito também a cidades saudáveis, matas verdes, céus azuis, mares limpos e seis meses de verão. E tem direito a andar na praia, namorar gente bonita e ser feliz.”

Amém, Ruy. É impossível ser feliz sozinho.

  

Houve uma vez dois verões em Búzios e BB aprendeu a cantar “Maria Ninguém”, um clássico da Bossa Nova. Como Deus estava inspirado quando criou essa mulher… Confiram:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=zRCu23SYnrk[/youtube]

 

 

 

8 comentários

  1. 12/02/14 at 11:24

    Superbe ! Quel beau souvenir tu as d`Itacoatira ( l`histoire de la bossa-nova). C`est três intéressant. Et Brigitte est devenue un mythe et Pierre Barouh aussi. Ils ont marqué une époque. Félicitations Selma.

  2. Antonio Carlos A. Gama
    12/02/14 at 18:12

    Como esta sua crônica, Selminha, a “Toca do Vinicius”, na rua do próprio, é mesmo um encanto! Principalmente com você e Barouh por lá…

     

    Talvez não tenha sido culpa de Barouh, mas na cópia de “Un homme et une femme” exibida no Festival de Cannes constava dos créditos apenas ele como compositor do “Samba Saravah”. Vinicius assistiu à exibição e ficou fulo da vida com Barouh, Claude Lelouch e os produtores, que lhe disseram num primeiro momento que ficaria muito caro corrigir todas as cópias. Ameaçados com um processo, acabaram por fazer a correção, mas parece que não em todas as cópias.

     

    Isso, porém, não empana o grande talento, o charme de Barouh e a sua importância na divulgação da Bossa Nova e do Brasil.
     
    Beijocas.

    • 12/02/14 at 23:30

      Antonio, sabe que apaguei completamente o quiproquó? E existiu, sim. Lembro-me de Barouh andando a cavalo, no início do filme,  e cantando a música. Quando começou a saudar Vinicius, Baden e outros  com um “Saravá!”… confesso que vibrei.
       
      Beijocas!

  3. André
    12/02/14 at 20:36

    Selma, eu tenho muita vontade de um dia conhecer a Toca do Vinícius – do jeito que eu amo música, tenho certeza que, ao entrar lá, não vou querer sair mais.
    Brigite Bardô tem uma escultura de bronze em Búzios quando de sua visita. Muito bom o vídeo.
    Tenho muita vontade de ler os dois livros de Rui Castro sobre a bossa nova (Chega de saudade e A onda que se ergueu no mar). Você deve ter ambos, com certeza.
    Beijoca!

  4. 12/02/14 at 23:33

    Andrezinho, pelo que percebo de sua paixão por música, a visita iria durar uma semana.
    Quantos aos livros, adquira-os urgentemente. E mais não digo.
     
    Beijocas!

  5. Lúcia Helena Vieira Dibo
    13/02/14 at 8:03

    Selma, como é bom voltar a esses anos dourados!
    O Brasil tinha charme e uma mágica poética no ar.
    Saudades.
    Beijos, minha querida.

    • 13/02/14 at 23:06

      Lúcia, sua delicadeza e sensibilidade me encantam.
      E você tem razão: um Brasil que deixou saudades. 
       
      Beijocas!

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