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A morte veste Prada

 

         Selma Barcellos

Selma (perfil)

 

 

 

 

 

 

 

  

“Todo dia leio cuidadosamente os avisos fúnebres dos jornais: às vezes a gente tem surpresas agradabilíssimas.”  

“A morte é dramática, o enterro é cômico, e os parentes, ridículos.”  

(Millôr Fernandes)

 

 

Surpresa é a notícia de que cresce no mercado o segmento ‘funeral de luxo personalizado’, tendência originada – pasmem! – nos EUA. Segundo os empresários, sucesso absoluto. Nenhum ‘homenageado’ voltou para reclamar. Quanto ao ridículo/cômico, ou nada disso, prossigam com a leitura.

Mansões, sobretudo em São Paulo, disponibilizam lounges fúnebres com decoração temática que alude a Paris e Nova York, bufês variados, manobristas, carro importado com LED para o transporte do féretro, trilha sonora – Enya, My Way, imprescindíveis – e doces, os bem-velados, distribuídos na saída, pequenos mimos para que os ‘convidados’ fiquem, digamos, satisfeitos (o morto, este sim, é um homem realizado).

Se a família preferir o evento em casa, para tudo há solução (menos para a dita cuja). Basta chamar o Funeral Home ou velório delivery. Até porque não existe segurança nos cemitérios à noite.

Uma promoter de funerais com glamour conta que tapete persa, música ao vivo e helicóptero lançando pétalas já foram atendidos. Lamenta apenas não ter podido realizar o último desejo de um cliente que queria pés de cana e limão sobre seu túmulo para “fazer caipirinhas eternamente”.

“Fico besta como morrem os personagens de Shakespeare, nem os passarinhos morrem com mais naturalidade, com mais simplicidade. Vede, o personagem faz um teatrozinho, é ferido (ninguém morre de cama, é tragédia!) e… morre. Morre assim nesta única palavra, dies. É ou não é formidável? Morrem numa palavra.”  (Otto Lara Resende)

Porém, em se tratando de oratória fúnebre, o bardo inglês é um mustSó não deixem a promoter saber.

 

 

 

Gene é um gênio

 

Enviado por Selma Barcellos

(vídeo montagem de Antonio Romane, genial colaborador do Bloghetto Selma Barcellos)

 

  

Rádio Todo Sentimento une-se hoje à coirmã Verouvir e orgulhosamente apresenta, em primeira mão, a música que Gene Kelly sonhava dançar na antológica cena da chuva, mas, por algum motivo, não foi possível. :-)

Por falar em gênio, valendo prêmio, Romane!

 

 

 

 

Abel Ferreira tocando “André de Sapato Novo” , de André Victor Correia​

http://www.youtube.com/watch?v=SZAIwmYr5BQ

 

Obs.: Conta-se que André Correia estava num baile e passou maus momentos ao dançar com um sapato apertado. A dor dos calos, fato aparentemente banal, foi a inspiração para o talentoso compositor nos legar um dos mais populares choros da história da música brasileira. Poucas músicas têm o privilégio de poder ser identificadas por uma nota, como é o caso de  “André de Sapato Novo”. Bastava Pixinguinha extrair do saxofone seu Mi grave para todo mundo reconhecer o que vinha a seguir. Aquele grave representava a parada que faz a todo momento o indivíduo que calça um sapato novo, calos gritando dentro do calçado… (Selma Barcellos)

 

 

 

Cogitam escrever um livro?

 

         Selma Barcellos

Selma (perfil)

 

 

 

 

 

 

 

 

“Só há uma coisa mais rara do que uma primeira edição de certos autores: uma segunda edição.” (Franklin P. Adams)

 

“Não há assuntos chatos, apenas escritores chatos.” (H.L. Mencken)

 

“Fiz um curso de leitura dinâmica e li Guerra e Paz em vinte minutos. Tem a ver com a Rússia.” (Woody Allen)

 

“Levei quinze anos para descobrir que não sabia escrever, mas aí já não podia parar – tinha ficado famoso demais.” (Robert Benchley)

 

“Alguns livros são do tipo que, quando você os larga, não consegue pegar mais.” (Millôr Fernandes)

 

“Se um jovem escritor conseguir abster-se de escrever, não deveria hesitar em fazer isso.” (André Gide)

 

‘Só se devem ler livros escritos há mais de cem anos.” (Jorge Luis Borges)

 

“Se quiser ficar rico escrevendo, escreva o tipo de coisa que é lida por pessoas que movem os lábios ao ler.” (Don Marquis)

 

“Do momento em que o peguei, até a hora em que o larguei, seu livro me fez rolar de rir. Um dia pretendo lê-lo.” (Groucho Marx)

 

“Basta ler meia página de certos escritores para perceber que eles estão despontando para o anonimato.” (Stanislaw Ponte Preta)

 

“Quando Jean-Paul Sartre morreu, era Simone de Beauvoir quem eles deviam ter enterrado.” (Tomi Ungerer)

 

“Que homem teria sido Balzac se ele soubesse escrever!” (Gustave Flaubert)

 

livros_louco

 

 

 

Cachoeirense ausente (e que falta faz…)

 

 

         Selma Barcellos

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois de alguma insistência, Rubem Braga resolveu aceitar o título de “Cachoeirense Ausente de 1951”, homenagem criada anos antes pelo irmão Newton para saudar os filhos ilustres da terra.

Rabugento que só, avisou às irmãs que não queria fazer discurso na praça, cumprimentar desconhecidos, nem ir ao Baile da Cidade. Não teve jeito. Fez os três.

A descontração só viria mais tarde, quando pôde enfim bebericar seu uisquinho com os amigos que levara ─ Vinicius, Millôr, Sabino, Otto Lara e Ceschiatti. No dia seguinte, apenas um compromisso oficial: inaugurar o aeroporto da cidade, tantas vezes reinaugurado e abandonado.

Hospedaram-se no melhor hotel de Cachoeiro de Itapemirim, nas proximidades da estação ferroviária, o que deixou os amigos desesperados com as manobras barulhentas das locomotivas madrugada adentro. Até que Millôr ─ ou teria sido Sabino? ou Vinicius?, ninguém sabe ao certo ─ , bateu no quarto de Braga:

─ Rubem, a que horas este hotel chega a Vitória?

Garotos formidáveis.

Mas que mania essa de ligar nossos brilhos literários e artísticos a aeroportos. Será que Millôr, a exemplo de Tom, vai virar um daqueles com forro desabando e urubus fazendo social com os passageiros?

Ele até sugeriu algo como “reconheço que nunca fiz nada para posteridade. Mas a posteridade bem que poderia fazer alguma coisa por mim. Por exemplo – me arranjar algum desses empréstimos a fundo perdido.” Não foi atendido

Braga, um apaixonado por jardins, virou nome de orquídea. Linda, vermelho-púrpura.

E Millorzinho, hein?

 

 

Rubem Braga e o seu quintal aéreo

Rubem Braga no seu mítico quintal aéreo do apartamento em Ipanema

 

 

 

Notícias de abril

 

         Selma Barcellos

Selma (perfil)

 

 

 

 

 

 

 

 

For God’s sake, é abril, mas não invento. O Reino Unido de Elizabeth II, a Fofa (amo-a de chapeuzinho roxo), aderiu à tal Festa do Feromônio, recentemente, em East London. Foi o primeiro encontro do tipo.

Dá-se assim: você dorme sem perfume ou desodorante por três noites seguidas com a mesma camiseta de algodão, guarda a peça num saco plástico bem vedado e leva a embalagem para a festa. Ao adentrar o recinto, recebe um rótulo azul ou rosa a ser colado no saquinho, um número (só você conhece sua senha), e tem a preciosidade espalhada numa mesa do pub. Os fregueses cheiram a camiseta, escolhem a preferida e são fotografados com a peça eleita. A imagem é projetada na parede e se você gostar de quem gostou do seu cheiro, pode começar a paquera.

Vejam, concidadãos. Nada contra o objetivo da empreitada. Profeta Millôr já dizia que se Deus fosse contra a paquera não teria feito o pescoço com tal mobilidade. Mas, o pescoço, não o nariz, assim, onde não foi chamado. Façam-me o favor.

Ainda na semana passada, nosso “Rio de Sempre” abordava o tema com legítima nostalgia, perguntava pelo olhar 43, a piscadela, o fiu-fiu, os piropos delicados… A blogueira, dessas que têm saudade até do futuro, em se tratando de cheirinho, perguntava pelo Vetiver deles, pelo Muguet delas… Estes, sim, colavam na roupa da sloper da alma.

O que escreveria mestre Braga sobre tais esquisitices, hein? Ele, o ‘velho urso’ de olhar sem cerimônia, que, um dia, a caminho de um final feliz, viu nascer-lhe uma flor na lapela.

Coisa mais linda, li há pouco, o galanteio do Paulo Rónai para Nora, ao receber a primeira ilustração que ela fizera para um livro dele: “Você não pode contribuir em todos os aspectos da minha vida?” Aaaah, teve jogo… Por décadas.

Sejamos sinceros, a notícia que vos trouxe não muda os rumos da humanidade. Sequer merecerá uma pesquisa do Ipea. Mas vale como registro de tempos bizarros. Pouca sutileza, escasso romantismo, raras delicadezas. Muita gente só, vendo a festa da janela… Trancada do lado de fora da vida.

Quimica_amor

 

 

 

Rectificar é preciso

 

       

         Selma Barcellos

 Selma-no-Jardim-de-Luxumburgp

 

 

 

 

 

 

 

 

RECTIFICAR É PRECISO

 

Carta do leitor Abel Passos, da cidade do Porto, enviada para o jornal português “Diário de Notícias”:

 

Os Hiper e a língua portuguesa 

“Não raras vezes as grandes superfícies, que basicamente comercializam produtos alimentares, surpreendem com erros de português nos escaparates […]. Falo concretamente de uma loja instalada num centro comercial da Senhora da Hora […]. Nessa loja, em duas palavras há três erros ortográficos: “brôa”, em vez de “broa” e “broculo”, em vez de “brócolo”. E nem atendem aos reparos, solicitando a rectificação, formalizados, há cerca de dois meses, em impressos. Em vão, até hoje!”

 

Que delícia… É isso aí, leitor. Carinho com o idioma. Gostamos nós e seu conterrâneo, o imenso Pessoa de “minha pátria é a língua portuguesa.”

Deixe estar, Sr. Abel, que se os problemas insolúveis se resumissem a chapeuzinhos e grampinhos roubados – sobretudo após a controversa reforma ortográfica -,  nossas pátrias estariam salvas.

Vale um toque? Se o senhor, atento observador das normas da língua, cogitar ancorar sua caravela neste lado do oceano em que me encontro, mantenha distância dos improvisos presidenciais, falas e blogues de candidatos, livros de senadores, cartilhas didáticas distribuídas, exames nacionais… Ou considere a possibilidade de passar a estada enviando cartas. Está feia a coisa, caro Abel. Como apanha a última flor do Lácio…

E apareça, se lhe aprouver. A blogueira adora uma prosa lusa. Bastante trazer um vinho do seu Porto. Eu entro com as broas de Minas.

 

glúten

 

 “Orora Analfabeta” (Gordurinha / Nascimento Gomes) com Jards Macalé

 

 

 

A ex-colinha

 

         Selma Barcellos

Selma-no-Jardim-de-Luxumburgp

 

 

 

 

 

 

 

 

Queridos dinos, como é que vocês colavam? Escrevendo as fórmulas na palma da mão, na borracha, na carteira, em tirinhas de papel guardadas no estojo? Pescoçando a prova do colega? Observando os movimentos codificados do gênio da turma que, coitado, parecia sofrer de espasmos nervosos?

Quem nunca deu uma coladinha… Gerações. Há pouco, arrumando relíquias didáticas na estante, caíram “lembretes” do livro de Química do filho… Cheguei a ouvir sua voz adolescente, belo dia, depois de copiar trocentas vezes uma fórmula na  tentativa de reduzir a letra: “Já decorei essa porrrrcaria!”.

Mas o fato é que a cola perdeu, digamos, a “inocência” primal… Ficou high-tech, sofisticou-se e passou a representar má-fé, picaretagem, trama, golpe. Cultura nefasta a ser realmente combatida. Imaginem que mascar chiclete pode disfarçar a conversa em minicelular com um cúmplice fora da sala, uma caneta pode fotografar a tela da prova e por aí vai.

Li que a University of Central Florida, por exemplo, já declarou guerra  à “evolução da espécie”. Da sala de monitoramento (aqui), um fiscal acompanha os gestos do aluno ao computador, direciona o zoom da câmera para o indivíduo e grava o “crime” em CD. Papel de rascunho? Com data estampada e favor devolver à saída.

Segundo o reitor, em 64 mil exames houve apenas 14 casos suspeitos. Sua Magnificência só não contava com a figuraça que, na contramão da tecnologia, supertatuou o braço e “inseriu informações” em sua body art.

É flórida… Ô raça.

 

 

 

 

 

De ternuras

 

 

Selma no Jardim de Luxemburgo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para Sinatra, uma das mais ternas canções jamais escritas. ‘Não há na letra um “I love you” sequer, mas o amor está todo lá’, comentou certa vez.

Adoro “Little Green Apples”. Música de 1968. Com ela, as descobertas, os primeiros versos… Verdes como as maçãs.

 

 

                                                 POEMILHA

 

                                                 Garrafas ao mar

                                                 Bilhetes em quilhas

                                                 e árvores, a estilete

 

                                                 Mapas, luas, estrelas

                                                 signos, mitos, sons

                                                 ideogramas, ritos

 

                                                 Em vão.

 

                                                 Apenas o eco e seus iguais

                                                 respondem ao meu coração.

 

                                                 Decifra-o se és capaz.

 

 

Do bauzinho da garota… Ousada, não? Drummond tremeu.

 

Uma das versões de “Little…” , na voz personalíssima de B.J. Thomas.

 

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=avXntFPN0vc[/youtube]

 

 

 

Receita de Mulher

 

         Selma Barcellos

Selma-no-Jardim-de-Luxumburgp

 

 

 

 

 

 

 

 

 Que fantásticas as escolhas de mestre Millôr…

 

 

 

“Vinicius que me perdoe plagiá-lo.
Mas beleza é fundamental.”

  

 

O seu semblante, redondo
Sobrancelhas arqueadas
Negros e finos cabelos
Carnes de neve formadas. 
Thomaz Antonio Gonzaga

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos.
Gonçalves Dias

Verde carne, tranças verdes.
Garcia Lorca

Lábios rubros de encanto
Somente para o beijo.
Junqueira Freire

A sua língua, pétala de chama.
Cândido Guerreiro

Nos lobos das orelhas
Pingentes de prata.
Gonçalves Crespo

Mão branca, mão macia, suave e cetinosa
Com unhas cor de aurora e luz do meio dia
Nas hastes cor de rosa.
Luiz Delfino

Os braços frouxos, palpitante o seio.
Casimiro de Abreu

A dorso aveludado, elétrico, felino
Porejando um vapor aromático e fino.
Castro Alves

Seu corpo tenha a embriaguês dos vícios.
Cruz e Souza

Com mil fragrâncias sutis
Fervendo em suas veias
Derramando no ar uma preguiça morna.
Teófilo Dias

Os olhos sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto
A da terra.
Vinicius de Morais

As curvas juvenis
Frescas ondulações da forma florescente
Imprimindo nas roupas um contorno eloquente.
Álvares de Azevedo

Qualquer coisa que venha de ânsias ainda incertas
Como uma ave que acorda e, inda mal acordada,
Move, numa tonteira, as asas entreabertas.
Amadeu Amaral

De longe, como Mondrians
Em reproduções de revistas
Ela só mostre a indiferente
Perfeição da geometria.
João Cabral de Melo Neto

Que no verão seja assaltada
por uma remota vontade de miar.
Rubem Braga

A graça da raça espanhola
A chispa do touro Miúra
Tudo que um homem namora
Tudo que um homem procura.
Paulo Gomide

Nádegas é importantíssimo
Gravíssimo porém é o problema das saboneteiras
Uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Vinicius de Morais

E todo o conjunto deve exprimir a inquietação e espera.
Espera, eu disse?
Então vou indo, que, senão, me atraso!
Millôr Fernandes

 

(Millôr Fernandes)

 
 
 
 

 

Tem certos dias

 

         Selma Barcellos

Selma no Jardim de Luxemburgo

 

 

 

 

 

 

 

 

[…]

“Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve. Via-se o fundo?

Via-se o fundo.

Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço, e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.

Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão. Gostava de ser mais moço.”

 

Claro que a maré de saudade do Verissimo me trouxe os deliciosos banhos da infância em Icaraí, os tatuís na areia, a bola de gomos coloridos, o Já-Já de coco … Mas, querem saber? Meu banho de mar perfeito aconteceu há pouco tempo, aqui em Itacoatiara.

Entre um compromisso e outro, resolvi dar um mergulhinho rápido na praia vazia das segundas-feiras. Cenário? Sol e azul em deslimite, mar dormindo, brisa leve, água transparente…

Amigos, foi mergulhar e emergir sorrindo. Simplesmente não conseguia desfazer a expressão. Quem me visse, diria que eu estava lembrando de algo engraçado. Que nada. Nem pensamento eu tinha. Apenas… sorria.

Agenda cancelada, saí caminhando pela orla, vagarosamente, de volta pra casa.

Dizem que é endorfina. Eu chamo de felicidade mesmo.

 

Itacoatiara (foto de Julie Buckley)

Itacoatiara (foto de Julie Buckley)