Sobre o mármore
insípido
o pequeno inseto
atônito
patinha longitudes
elípticas.
Na vasta superfície
álgida
de pedra e água
afeiçoada
persiste no tracejo
resignado
sem atinar a mão
iminente
que sustém a existência
precária.
Seremos nós esse bicho
errático
a vaguear pela solidão
inóspita
enquanto outra mão
onipotente
concede a graça
sombria
de mais um dia
só mais um dia?
Comparação magnífica. Realmente tocante.
Quem somos nós?
Eu também gostei.
Abraçaço.
Pô… vi esse inseto. No espelho.
Mais um dia?
Mais meia hora?
Que tempo é esse,
esse tirano?
Qual é,
na verdade,
o seu tamanho?
Uma vida insegura, uma caminhada sem rumo, uma tentativa de subida para uma parede que nem sabe se tem fim, patinhas que tremem…. e a medida do tempo sem tempo nem medida. Sim, nós somos muitas vezes o inseto tentando nos suster na existência precária.
Poxa, Sonia… “a medida do tempo sem tempo nem medida” é de uma eternidade incomensurável! Imensa intensidade. Muito bom seu comentário.
Nós, esse bicho errático…
Grande. Grande poema, Gama!!!
Suponho que a grande poesia esta virada para o lado oposto (V. Hugo,C. de Oliveira) no combate, na participação. A mão o(m)nipotente consiste na energia de estar com os outros onde ha superação de qualquer miseria. existencial. DL
Bela (re)leitura, Daniel!
A poesia está sempre virada para o lado oposto do que está posto, ou imposto.
Obrigado pela participação.
Volte sempre, a casa é sua.
Um dia, mais um dia, qualquer dia… para que inquietudes se transformem em poemas assim. Terá valido a pena.
Belíssimo poema!
Somos nós,o inseto.
De natureza também precária, “a vaguear pela solidão inóspita”, até que sejamos ( re) colhidos na eternidade.
“Esse bicho errático” quantas vezes nos deparamos com ele e continuamos, pois há essa “mão onipotente” que nos permite continuar. Poema que nos toca, lindo.