O inseto

 

 

inseto 3 (3)

 

 Sobre o mármore

 insípido

 o pequeno inseto

 atônito

 patinha longitudes

 elípticas.

 

 Na vasta superfície

 álgida

 de pedra e água

 afeiçoada

 persiste no tracejo

 resignado

 sem atinar a mão

 iminente

 que sustém a existência

 precária.

 

 Seremos nós esse bicho

 errático

 a vaguear pela solidão

 inóspita

 enquanto outra mão

 onipotente

 concede a graça

 sombria

 de mais um dia

 só mais um dia?

 

 

11 comentários

  1. Comparação magnífica. Realmente tocante.
    Quem  somos nós?

  2. André
    15/03/13 at 16:18

    Eu também gostei.
    Abraçaço.

  3. Brenno
    15/03/13 at 17:21

    Pô… vi esse inseto. No espelho.
    Mais um dia?
    Mais meia hora?
    Que tempo é esse,
    esse tirano?
    Qual é,
    na verdade,
    o seu tamanho?

  4. sonia kahawach
    15/03/13 at 17:55

    Uma vida insegura, uma caminhada sem rumo, uma tentativa de subida para uma parede que nem sabe se tem fim, patinhas que tremem…. e a medida do tempo sem tempo nem medida. Sim, nós somos muitas vezes o inseto tentando nos suster na existência precária.

    • Brenno
      21/03/13 at 17:57

      Poxa, Sonia… “a medida do tempo sem tempo nem medida” é de uma eternidade incomensurável! Imensa intensidade. Muito bom seu comentário.

  5. Lúcia Helena Vieira Dibo
    15/03/13 at 18:19

    Nós, esse bicho errático…
    Grande. Grande poema, Gama!!!

  6. Daniel Lacerda
    17/03/13 at 8:14

    Suponho que a grande poesia esta virada para o lado oposto (V. Hugo,C. de Oliveira) no combate, na participação. A mão o(m)nipotente consiste na energia de estar com os outros onde ha superação de qualquer miseria. existencial. DL

    • Antonio Carlos A. Gama
      17/03/13 at 10:34

      Bela (re)leitura, Daniel!
       
      A poesia está sempre virada para o lado oposto do que está posto, ou imposto.

      Obrigado pela participação.
      Volte sempre, a casa é sua.

  7. 17/03/13 at 13:12

    Um dia, mais um dia, qualquer dia… para que inquietudes se transformem em poemas assim. Terá valido a pena.

  8. Gersonita Elpídio dos Santos
    17/03/13 at 18:11

    Belíssimo poema!
    Somos nós,o inseto.
    De natureza também precária, “a vaguear pela solidão inóspita”, até que sejamos ( re) colhidos na eternidade.

  9. Célia Soares
    19/03/13 at 15:31

    “Esse bicho errático” quantas vezes nos deparamos com ele e continuamos, pois há essa “mão onipotente” que nos permite continuar. Poema que nos toca, lindo.

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